Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 13 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 12

 

Como se tivesse sido chamado, Salvador desce a escada levando os

lençóis ensopados e fedorentos da suíte em direção à lavanderia no

porão. Se o retrato emoldurado de Salvador Dalí que servia como sua

cabeça conseguisse demonstrar qualquer expressão além dos olhos

arregalados do surrealista, o homem sério talvez pudesse erguer uma

sobrancelha. Ele adora ouvir seu nome.

Salvador vira o olhar pintado para Andrew e Nadia quando desce,

esperando ser chamado, mas não é. Então continua descendo com

cuidado os degraus, com as pernas com próteses de padrão militar.

No porão, Salvador se controla para não espalhar os lençóis e rolar

neles: o cesto no centro abriga o coração desgastado do border collie que

ele fora antes de o mago revivê-lo nessa forma, e esse coração ainda se

alegra com cheiros fortes, sobretudo no caso de peixe e fezes. Ele

inclina a cabeça de retrato em direção aos lençóis, divertindo-se com a

sujeira. Será um crime lavar esses odores deliciosos, mas, como ele ama

seu dono como apenas os cães amam, solta um suspiro canino e abre a

porta da máquina de lavar.