Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 54 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 55

 

O escapamento chama atenção.

Dois furos perfeitos na pequena parte de trás.

O carro que Andrew dará a Radha.

Acima de tudo, uma distração.

O telefone toca.

Ele pega.

 

ANNEKE ZAUTKE

Seu amigo é um imbecil.

 

Ele responde.

 

ANDREW B-SHIP

POR QUÊ ?

 

ANNEKE ZAUTKE

Porque é ☹

 

Enfia o telefone outra vez no bolso.

Andrew e Chancho permanecem embaixo do Mini Cooper que está

sendo elevado. Chancho aponta um dedo grosso, torto, com graxa na

cutícula.

— O sistema de escapamento, isso é performance, como uma arma de

dois canos. BANG! BANG! Mas uma arma silenciosa, tem um ronronar de

gato, bonitinho. É um carro bacana, cara. Ano 2003, mas uma beleza.

— Veio do Arizona.

— Pois é, comeu a poeira dessa estrada. Quanto pagou?

— Seis mil e cem.

— Dou sete mil e quinhentos na mão, agora.

Andrew balança a cabeça, recusando.

— Pago oito, então.

— Não. Preciso fazer consertos.

— Você quer dizer que vai dar uma de brujo e mexer nos

chicharrones dele, certo?

Andrew sorri.

— Isso. A mulher me fez um favor, faço outro. Você descobriu por

que estava batendo?

— Sim. Os suportes do motor estão dando problema. Principalmente

o do lado direito. As oficinas do Arizona não devem prestar. Fiz Rick

voltar de Syracuse com peças, peguei umas placas do lugar de

importação. Tudo polido e tal. Pronto.

— Essa mulher não vai se importar com isso. Ela provavelmente nem

vai abrir o capô.

— Sim... Mas, quem abrir, PRONTO!

Gonzo olha para o balcão da recepção. Uma mulher de olhos grandes

está encarando o trio, prestes a entregar as chaves.

O sorriso de Andrew se abre ainda mais.

— Mas passa no teste? O Cooper?

— Mais do que passa. Você ferrou aquele cara.

 

— Foi generoso da sua parte anunciar um carro tão bom por seis mil.

Todo mundo no Arizona é bondoso assim? Por acaso você joga tênis

profissionalmente?

— Profissionalmente? Não.

— Você parece um jogador profissional.

— Acho que você entendeu errado. Nenhum Mini nesse estado será

vendido por seis mil. É dez. Peça a alguém de confiança para dar uma

conferida. Você viu o escapamento? As rodas de liga? Só o rádio vale

mil.

— Você tem razão. É uma bela máquina. Sinto muito em saber que

você está doente.

— Como é?

— Esse ar úmido de Nova York, um cara do Arizona terá uma reação

ruim. Até mesmo um atleta. Claro que você não está legal.

— Do que está falando?

— Estou enganado?

— Sim. Nunca me senti tão bem.

Andrew pisca, parece confuso.

— O que eu falei?

— Que eu estava doente.

— O quê?

— Você disse que eu estava doente.

— Seis mil, então, está de bom tamanho.

Agora, o rapaz parece confuso, quase se descontrola.

— Não posso...

— Quanto quer, cinco e cem?

— Não.

— Então, que tal seis redondos?

— Seis e cem.

O jovem suspira com orgulho.

— Como?

— Seis e cem.

— Seis?

— Seis e cem, que inferno, seis e cem!

Andrew sorri de modo a desarmá-lo.

— Feito!

Ele estende a mão.

O jovem aperta.

 

— Só enrolei o cara um pouco.

— Brujo danado.

Chancho sorri, não se segura.

Dá um tapinha nas costas de Andrew.

Deixa uma mancha.