Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 55
O escapamento chama atenção.
Dois furos perfeitos na pequena parte de trás.
O carro que Andrew dará a Radha.
Acima de tudo, uma distração.
O telefone toca.
Ele pega.
ANNEKE ZAUTKE
Seu amigo é um imbecil.
Ele responde.
ANDREW B-SHIP
POR QUÊ ?
ANNEKE ZAUTKE
Porque é ☹
Enfia o telefone outra vez no bolso.
Andrew e Chancho permanecem embaixo do Mini Cooper que está
sendo elevado. Chancho aponta um dedo grosso, torto, com graxa na
cutícula.
— O sistema de escapamento, isso é performance, como uma arma de
dois canos. BANG! BANG! Mas uma arma silenciosa, tem um ronronar de
gato, bonitinho. É um carro bacana, cara. Ano 2003, mas uma beleza.
— Veio do Arizona.
— Pois é, comeu a poeira dessa estrada. Quanto pagou?
— Seis mil e cem.
— Dou sete mil e quinhentos na mão, agora.
Andrew balança a cabeça, recusando.
— Pago oito, então.
— Não. Preciso fazer consertos.
— Você quer dizer que vai dar uma de brujo e mexer nos
chicharrones dele, certo?
Andrew sorri.
— Isso. A mulher me fez um favor, faço outro. Você descobriu por
que estava batendo?
— Sim. Os suportes do motor estão dando problema. Principalmente
o do lado direito. As oficinas do Arizona não devem prestar. Fiz Rick
voltar de Syracuse com peças, peguei umas placas do lugar de
importação. Tudo polido e tal. Pronto.
— Essa mulher não vai se importar com isso. Ela provavelmente nem
vai abrir o capô.
— Sim... Mas, quem abrir, PRONTO!
Gonzo olha para o balcão da recepção. Uma mulher de olhos grandes
está encarando o trio, prestes a entregar as chaves.
O sorriso de Andrew se abre ainda mais.
— Mas passa no teste? O Cooper?
— Mais do que passa. Você ferrou aquele cara.
— Foi generoso da sua parte anunciar um carro tão bom por seis mil.
Todo mundo no Arizona é bondoso assim? Por acaso você joga tênis
profissionalmente?
— Profissionalmente? Não.
— Você parece um jogador profissional.
— Acho que você entendeu errado. Nenhum Mini nesse estado será
vendido por seis mil. É dez. Peça a alguém de confiança para dar uma
conferida. Você viu o escapamento? As rodas de liga? Só o rádio vale
mil.
— Você tem razão. É uma bela máquina. Sinto muito em saber que
você está doente.
— Como é?
— Esse ar úmido de Nova York, um cara do Arizona terá uma reação
ruim. Até mesmo um atleta. Claro que você não está legal.
— Do que está falando?
— Estou enganado?
— Sim. Nunca me senti tão bem.
Andrew pisca, parece confuso.
— O que eu falei?
— Que eu estava doente.
— O quê?
— Você disse que eu estava doente.
— Seis mil, então, está de bom tamanho.
Agora, o rapaz parece confuso, quase se descontrola.
— Não posso...
— Quanto quer, cinco e cem?
— Não.
— Então, que tal seis redondos?
— Seis e cem.
O jovem suspira com orgulho.
— Como?
— Seis e cem.
— Seis?
— Seis e cem, que inferno, seis e cem!
Andrew sorri de modo a desarmá-lo.
— Feito!
Ele estende a mão.
O jovem aperta.
— Só enrolei o cara um pouco.
— Brujo danado.
Chancho sorri, não se segura.
Dá um tapinha nas costas de Andrew.
Deixa uma mancha.