Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 93
Por reflexo, Andrew toca a buzina, mas apenas por um milésimo de
segundo: precisa das duas mãos no volante, agora, depressa, vira com
força, a motorista do SUV aparece em um flash, com a boca aberta em
um formato clássico de pânico, um O.
Ela também vira.
Ela não estava indo depressa demais, mas ziguezagueia mesmo
assim.
Tomba.
Capota.
Para com o lado direito virado para a plantação de milho.
O air bag se abre.
Andrew faz um retorno, querendo ajudar a motorista da caminhonete.
É quando vê o trator que ela estava tentando ultrapassar.
Mas não é um trator.
A mágica faz com que se pareça com um trator, mágica forte o
bastante para enganar até mesmo alguém como ele, até ele realmente
olhar.
Seu coração se acelera.
Mais.
Ele ainda tem rivotril no organismo, caso contrário, provavelmente
entraria em pânico total.
Uma casinha com patas de galinha.
Descendo a estrada para longe de mim.
É ELA.
Não a casinha que ela tinha na mata, mas sua irmã moderna.
Ele acha que a casinha vai parar, virar-se e partir na sua direção.
A casinha continua correndo.
Em direção à minha casa!!!!
Agora, ele se recompõe, ofegante, tentando processar.
Anneke.
Casa.
Merda, a outra motorista!
Ele dirige e olha para ela.
Uma senhora de uns quarenta anos com cabelos curtos.
Uma gota de sangue na testa.
— Você está bem? — grita ele.
— Acho que sim — diz ela, soltando o cinto, pisando no milho
amassado. Está segurando o telefone celular, faz um sinal para que ele
encoste e estacione, tecla.
Corte na testa.
Estilhaços voam em um acidente.
Ela provavelmente está bem.
Não sei, mas provavelmente.
A ajuda está vindo de qualquer jeito.
Mas não para Anneke.
— Desculpa — diz ele enquanto se afasta e deixa a senhora gritando
“EI!” às suas costas.