Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 37
— Este é o banheiro. Os prendedores prateados que vocês estão vendo
segurando o rolo tornam o papel higiênico inesgotável. Muito popular
com as moças, assim como a tampa do vaso, que se abaixa quando a
pessoa sai. É uma magia bem sutil. Menos sutil é a banheira com pés
curvos. Se você mergulhar de cabeça, é duro o bastante para quebrar seu
pescoço,
(Nadia se retrai ao ouvir isso)
mas vai mandar você para o banheiro que quiser e que mentalizar. Se
não disser nada, vai mandar você para o último lugar que ele computou.
Anneke pensa nisso. Faz sentido... os banheiros são particulares. Uma
pessoa não desejaria aparecer no meio de uma fonte pública, nem
mesmo de uma cozinha. Se o Superman fosse de verdade, ele se trocaria
em um banheiro, não em uma cabine telefônica. Talvez ele use um
banheiro agora, já que as cabines telefônicas estão quase extintas.
Andrew deve saber — ele parece babaca o bastante a ponto de ter o
hábito secreto de ler gibis.
— Você se molha?
— Só se a banheira estiver cheia. A água nos canos conduz, não
transborda.
— Como você volta?
— Qualquer aparelho no banheiro para onde você for enviado
mandará você de volta para esta banheira. Outra banheira é melhor
porque, embora os vasos sanitários também funcionem, a ideia é meio
repulsiva. A pia se alarga o suficiente para dar conta, se você acreditar,
mas certa vez fraturei uma costela na torneira enquanto fiquei com medo
de não conseguir escapar. Acreditar é mais do que metade do feitiço.
— Qual foi o último lugar computado? — pergunta Anneke.
— Não me lembro — diz ele. — Você gostaria de ver com os
próprios olhos?
Ela lança um olhar do tipo “você deve ter se esquecido de quem está
desafiando” e mergulha. Nadia, assustada (e um pouco impressionada),
xinga em russo e dá um passo para trás, para não tropeçar no pé de
Anneke.