Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 135
Yuri se senta em frente ao computador, o gato ronronando em seu colo.
O gato com o rabo virado. Yuri enche um copo de batida de cereja e
vodca, seu lábio superior manchado com um bigode fraco e vermelho.
— O que é isso? — pergunta ele.
Um e-mail de Marina Yaganishna.
Ele não quer ler — Baba Yaga o deixou sozinho por meses, e ele
teme que essa mensagem de sua filha possa anunciar novas exigências,
novas ameaças, novos pesadelos. Mas não abrir poderia ser pior, muito
pior.
Será que é spam?
Um anexo chamado Rapaz travesso fica chapado com Papai Noel
sugere isso.
E ainda estamos em setembro.
Natal, já?
Talvez ele não abra aquilo.
Não, ele realmente não vai abrir o anexo.
Ele lê o e-mail.
Yuri,
Abra o anexo imediatamente.
— Marina
Yuri abre o anexo.
Um vídeo.
Marina se senta diante de uma tela de televisão, usando apenas um
roupão japonês. A seta do símbolo de play o instiga. Ele clica. A bela
mulher no roupão japonês ganha vida, fala.
Russa com sotaque americano?
— Yuri. Observe a tela. Minha amiga na Califórnia fez isso para
mim. Eu quero agradecer a você pelo que fez em Chicago. Com a bruxa
Radha. Assista!
Desligue, Yuri.
Mas ele não consegue desligar.
Baba saberá se ele não assistir.
Ele instintivamente esconde os dentes com a mão.
A televisão no vídeo é ligada.
Um homem velho com uma barba curta e branca está sentado em um
trenó, atrás de uma rena. Ele veste o gorro vermelho e as roupas do
Papai Noel, o gorro enfeitado com folhas e pinhas. Ele está se
preparando para ler uma história a um agitado grupo de crianças
pequenas. Há neve atrás dele.
Não parece a Califórnia.
— Michael. Michael Rudnick — diz Marina.
O velho parece confuso por um segundo, e então olha para Marina.
Assente.
Fecha o livro.
As crianças agitadas ficaram paradas, congeladas, enquanto o Papai
Noel continua se mexendo.
Um alçapão?
Quem é esse velho?
— Michael, gostaria que você desejasse um Feliz Natal ao homem
que está do outro lado da câmera.
O Papai Noel assente.
Sorri.
Olha para a câmera.
Fala inglês.
— Ho, Ho, Ho! Você tem sido muito travesso, Yuri. É Yuri, não é?
Desligue o computador!
Os olhos do homem brilham.
Um CRACK alto enche o apartamento de Yuri.
O gato é apanhado saltando, vira-se para a pedreira de Vermont no
meio do ar.
Cai com um barulhão!
Quebra ao meio.
Yuri está petrificando ao pegar o mouse.
O impulso feito leva Yuri para a frente e o derruba contra o
computador. Ele se parte em pedaços.
O homem no andar de baixo bate no chão em protesto.
Uma mulher na parede ao lado grita com Yuri, a voz meio abafada
pelo gesso.
— Estou cansada de seus barulhos, Yuri! Vá para a cama! Vá para a
cama! Vá para a cama!