Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 6
Anneke Zautke saiu da prisão há seis anos e está sóbria há oito meses,
na maior parte do tempo. Ela comprou sua estranha casinha próxima ao
lago para ficar perto o suficiente para visitar o pai, muito doente, em
uma pequena cidade do México,
Leucemia? Você vai morrer?
Em algum momento.
Não é justo, pai. Você acabou de... se aposentar.
Eu era piloto de submarinos nucleares. Ninguém me obrigava a fazer
isso. Ninguém me obrigava a trabalhar no reator. Merdas acontecem.
mas longe o bastante de Oswego e Syracuse, para não ver ninguém que
conhecia antes.
Ela ganha dinheiro vendendo estátuas e canecas de porcelana em
exposições de arte e feiras medievais. Sua casa, como a de Andrew, é
difícil de encontrar.
As pessoas que gostam de perturbar agressores sexuais terão um
longo e sinuoso caminho até a propriedade de Anneke. Ninguém tentou
até o momento, mas ainda faltam doze anos para que o nome dela
desapareça do registro.
Shelly Bertolucci tinha dezesseis anos.
Shelly ficou tão aliviada por encontrar outra pessoa em Oswego que
amava como ela amava que não se importou com as consequências.
Mas as consequências podem não ser iguais para todos.
As consequências eram uma coisa para Shelly e outra bem diferente
para a bela e jovem professora de arte recém-formada na Cornell que a
apresentou ao vinho cabernet, a Rodin, a Edith Piaf e a seus trinta
primeiros orgasmos.
Anneke Zautke recebeu pena máxima de quatro anos por estupro de
vulnerável e corrupção de menor. Mesmo com o esforço exaustivo de
seu advogado.
Ela usava aparelho quando começou, certo?
Sim.
Sempre que você pensar em se sentar firme e empertigada, fazendo
aquela pose de Marlene Dietrich, lembre-se de que eles vão mostrar ao
júri fotos de uma menininha de aparelho.
E daí, idiota?
Sente-se como alguém que sabe que fez sexo com uma menininha de
aparelho nos dentes.
Me mostre como é.
Você vai ser engraçadinha assim com garotas que atiraram em
pessoas?
Anneke não conseguiu demonstrar remorso, porque a verdade era que
não se sentia arrependida de nada.
Ela gostaria de ter tido alguém para amenizar sua passagem pelo
purgatório de uma adolescência homossexual na região centro-oeste do
estado de Nova York e sentiu disposição para fazer o mesmo por Shelly,
como questão de honra.
Anneke também vinha bebendo uma garrafa e meia de vinho por
noite e se automedicando com cocaína e antidepressivos, que comprava
on-line da Índia, então sua capacidade de discernir entre permissão e
exploração era...
Duvidosa.
Quando mostrarem as fotos do aparelho, vão mostrar algumas das
esculturas que Shelly fez em aula?
Por quê?
Porque não são ruins. Ela começou a... se desenvolver.
Artisticamente.
Por que estava transando com você?
...
Na verdade, sim.