Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 33 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 33

 

— Pensei que você estivesse morto. Você parecia bem morto.

Ela usa um rolo de papel e um frasco de álcool para passar no lábio

superior dele e no queixo. Enquanto as partes etéreas de Andrew

estavam nas profundezas do lago Ontário, seu corpo teve uma grande

hemorragia nasal. O outro lastro também cedeu, mas Anneke não o

soltou.

Ele está de jaqueta de couro, debaixo de um cobertor.

— Preciso trocar minha calça.

Ela encosta a cabeça no peito dele mais uma vez.

Salvador caminha atrás dela.

— Peça para Jeeves buscar uma calça nova. Não quero que você ande

ainda.

— Salvador, por favor, traga uma calça jeans.

Feliz por ter uma tarefa, o homem de palha desaparece do celeiro e

segue em direção à casa principal.

— Bem, como você é meu padrinho, acho que é a única pessoa a

quem posso dizer que quero uma bebida agora.

Ele assente, estremecendo.

O frio do lago ainda está em seus ossos.

— Você sabe o que foi o pior? Quando achei que Elvis tinha mesmo

saído do prédio, meu primeiro pensamento não foi: “Ah, Deus, meu

amigo morreu”. Meu primeiro pensamento foi: “Vão pensar que eu

matei ele. Vou voltar pra prisão”. Isso não é horrível? Como pessoa,

quero dizer. Quem consegue ser tão egoísta?

Ela não vai chorar.

Ele se esforça para se desvencilhar de Anneke, vai até a porta do

celeiro, inclina-se e vomita. A água fria do lago sai da boca dele.

Anneke leva um lenço de papel aos lábios dele.

— Não entendi nem metade do que aconteceu hoje — comenta ele.

— Mas tem alguém vindo atrás de mim. Alguém perigoso. E acho que

sei quem está por trás disso.

— Quem?

— Não quero dizer o nome. Mas acho que está na hora de eu mostrar

minha casa da maneira adequada. E também está na hora de eu contar o

que aconteceu comigo na Rússia.

O cheiro do lago se torna horrível, pior do que antes.

— Está na hora de você contar para mim também — diz a mulher nua

com os dreadlocks ruivos. Ela caminha pingando para dentro do celeiro,

olhando para Anneke de modo territorialista.

Anneke também olha para ela.

— Tem um cigarro para mim?

— Você sabe onde está o maço.

Nadia atravessa o celeiro e enfia a mão no bolso da jaqueta.

Anneke a observa, esforçando-se para não reagir ao cheiro dela.

Nadia apanha um maço amarelo-claro de cigarros, mas o cigarro que

ela puxa está pela metade.

— Merda — diz ela, cheirando a guimba amarela de tabaco.

Anneke oferece a ela um Winston.

A rusalka pega.