Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 115 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 117

 

Michael Rudnick se afasta da janela.

A náusea o invadiu segundos depois de ele puxar o meteoro para

baixo.

Não temos tempo para isso.

Recomponha-se, Rudnick.

Escuta a briga no andar de baixo, sente a casa balançar quando a

granada russa explode a porta da frente.

Precisa descer, apesar de ter se exaurido completamente com a queda

do meteoro.

Foi um grande feitiço, talvez grande demais.

Está sem energia, não se sente capaz de levantar nem um grão de

areia.

Tiros de rifle são ouvidos lá embaixo.

Andrew.

Ele está sozinho.

Mais impactos, um som como a trombeta de Gabriel tocando.

De repente, parece que há uma ferradura em sua cabeça.

Ele passa pelo sótão cheio de neve, caminha até a escada.

O primeiro passo é normal, mas, em seguida, não consegue controlar

muito bem nem o braço nem a perna do seu lado direito, e meio

escorrega, meio cai no chão duro do hall.

Escuta algo vindo da suíte principal.

A banheira?

Olha para a maçaneta, mas ela parece borrada.

Consegue ficar de pé, mas é difícil.

Um telefone antigo toca no quarto de Andrew, e ele escuta o barulho

de uma porta se abrindo abaixo.

Preciso entrar ali.

Metade de seu corpo não está aceitando ordens.

E sua cabeça.

Deus, sua cabeça.

O telefone toca de novo.

Alguém quebra o aparelho.

Abaixo, outro grito-trompete que balança a casa.

Um candelabro de ferro no formato de uma mão aberta de mulher cai

da parede, deixando um buraco dividindo uma rachadura no gesso.

Minha cabeça!

O mito do nascimento de Atenas lhe ocorre, e ele se julga capaz de

empurrar uma mulher com armadura para fora de seu templo.

Tiros.

Andrew!

Michael Rudnick fica de pé a tempo de ver a maçaneta da porta do

quarto girar.

A porta se abre e surge uma mulher de uniforme militar.

Atenas?

Não.

A filha de Baba.

Ela puxa um cinto parecido com uma cobra morta em volta do

próprio pescoço.

Ela está tão surpresa quanto ele, e ele se prepara para receber ou

lançar um feitiço.

Michael Rudnick é um guerreiro a ser respeitado, e ela sabe disso.

Nem todo mundo consegue girar com tanta velocidade um meteoro

do céu e bater em um tanque com ele.

E ninguém consegue fazer isso sem pagar um preço.

Michael tenta dizer a palavra para fazer a arandela subir e quebrar a

cabeça da mulher mas, quando fala, um som confuso sai de sua boca.

Os dois compreendem ao mesmo tempo.

Derrame.

Tive um derrame.

E não foi pequeno.

Sou um homem morto.

Ela sorri.

Não de um jeito mal-educado.

Puxa-o com firmeza para o banheiro.

Empurra Michael pelo lado imobilizado.

Ele não pode lutar.

Um momento estranho enquanto ela enfia o mago com um derrame

pela porta do banheiro, com o sabre no cinto emaranhando os dois. Ele

tenta arranhar o rosto dela com a mão boa, mas ela é mais forte.

Ela gostaria de aproveitar e viver a experiência, olhar nos olhos dele

enquanto acontece: aquilo é algo raro.

Mas o Ladrão.

Ela vai acertar as contas com o Ladrão.

Ela tem Michael contra a banheira agora.

Ela diz o nome de um lugar, empurra o velho para a banheira.

Ele ouve o nome no lugar.

Não quer ir lá.

Está quente ali, e ele sente o cheiro de árvores e plantas em flor.

Ele cai.

Olhando para ela durante toda a queda.