Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 5
Anneke não foi feita para interiores: existe algo menor, algo
enclausurado e errado em sua presença no bar ou em qualquer lugar em
que ela se encontre debaixo de um teto.
Ela é grande demais para os espaços.
A mente de Andrew prefere imaginá-la ao ar livre, fazendo algo com
madeira ou esculpindo com argila e lama; os cabelos loiro-escuros
começando a ficar grisalhos e absorvendo a luz do sol; se estiver usando
um martelo, os braços fortes ganhando um bronzeado; se estiver
esculpindo à mesa do lado de fora, o jeans ficando sujo nas coxas, onde
esfrega as mãos. Sem falar que ela não se senta, mas fica dando voltas
na criação em sentido anti-horário, enquanto lhe confere forma e nome.
Atravessando o gramado, ela tem o ar de uma leoa cujo parceiro não
deveria estar dormindo em seu espaço preferido.
Andrew soube que a amava assim que viu a luz do sol banhando
Anneke.
Isso tinha acontecido dois anos antes.
Permitiu-se amá-la porque sabia que ela não o amaria.