Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 101 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 103

 

Mais um tiro.

Esse veio do lado direito da casa.

O som forte de uma bala batendo no vidro.

— Salvador! Saia da janela.

O homem de palha obedece, mas a bala já atingiu o alvo.

Um buraco apareceu na tela, um pouco acima do lado esquerdo de

Dalí.

O autômato não se afeta, mas o buraco terá que ser fechado antes de

ele voltar a ser cachorro.

— Vá se remendar.

Sal caminha em direção à escada, mais uma bala entra pela janela,

bate na parede perto da coruja empalhada.

Michael se abaixa, suando apesar do ar frio.

Andrew põe a cabeça para fora, olha mais uma vez pelos binóculos

de visão noturna.

— Temos três deste lado.

Dois pontos brilhantes aparecem na escuridão.

As balas são desviadas, acertando tijolos e gesso em outra parte do

cômodo.

O pingente brasileiro no pescoço de Andrew fica quente.

Andrew sabe que o feitiço pode ser superado se for usado com muita

intensidade: já foi salvo de pelo menos quatro balas.

— Vamos acordar Buttercup.

Michael concorda.

— Proteja-se.

O velho mago se protege.

Andrew se abaixa, vai até a janela que dá vista para o quintal da

frente.

Fica empertigado agora, afastado da janela, nas sombras, mas eles

ainda o veem.

As balas passam pela janela, fazendo o terrível pvvvvvt que uma

pessoa ouve quando começam a atirar contra ela, um som que Andrew

tivera a sorte de nunca ouvir antes. Conta dois homens na linha da

árvore. Levanta dois dedos para Michael, que se esconde atrás de uma

lâmina velha de arado.

A lâmina brilha uma vez com um P-TANG alto.

Michael lê dois parágrafos no grego de Arquimedes.

Andrew diz uma frase em francês antigo.

A fera do aspirador estica a cabeça de galo de metal na ponta do

pescoço de tubo, bate as asas de urubu, derrubando a capa que a cobre.

Flexiona os braços de chimpanzé. O pescoço vira, possibilitando que a

coisa foque os olhos em Andrew.

As lentes giram.

Merda, isso vai me atacar?

Não, só está olhando para seu dono.

— Allez!

A fera do aspirador bate as asas de urubu com mais força.

Seu motor é acionado.

Ela se lança para a frente, sai pela janela norte, em direção ao lago,

depois vira. Balas a atingem, sem causar danos.

A neve sopra dentro do sótão atrás.

A fera do aspirador vira em direção a quem atira.

Seus olhos brilham e algo na linha da árvore pega fogo.

Gritos.

Os gritos param.

Mais três balas partem em direção a Andrew, uma delas da casa de

Dawes do outro lado da rua: as três são desviadas.

A corrente que prende o pingente se quebra. O pingente cai — a

magia se esgotou.

Andrew se atira no chão quando a quarta bala acerta o tijolo às suas

costas.

Michael termina mais um verso em grego.

Andrew acrescenta um verso em alemão.

No quintal da frente, o som do motor de um Mustang há muito morto

volta a funcionar.

O chão treme.

Os pássaros empalhados na estante e no terrário com a miniatura da

casa também estremecem.

Os magos começaram um pequeno terremoto.

Buttercup está acordando.