Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 77 de 134

Páginas do PDF

Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 78

 

Ano de 1978.

Yellow Springs, Ohio.

Outubro.

O mago barrigudo e careca está de camisa aberta mesmo sendo

outono em Glen Helen. Ele, o garoto e a garota conseguem ver a

fumacinha branca de suas próprias respirações.

Andrew veste calça de moletom e uma bandana na cabeça.

— Tente de novo — pede o homem mais velho.

Andrew não quer tentar de novo.

Uma grande mancha de terra e sujeira que vai da nádega até a coxa

evidencia o resultado da última tentativa.

Ele se prepara e corre contra seu mentor de novo.

Corre como seu irmão costumava correr para atacar os bonecos de

treino.

Quando salta, salta na altura da cintura, mas à direita do homem

baixo e atarracado. Salta aparentemente para o nada, com o rosto

contraído para receber o impacto.

Ele atinge algo no meio do salto, e o mundo ao redor dos três balança

de um jeito esquisito, que acontece quando a realidade e a ilusão

colidem. O homem pisca onde estava, desaparecendo, pisca de novo

caindo com Andrew, em um “Whooof!”: aparentemente, ele sempre

esteve no caminho de Andrew.

A mente arruma as coisas.

A dentadura do instrutor cai.

Ele a coloca de novo, sem problemas.

Também pega três moedas que caíram na grama.

Deixa a moeda que caiu com a coroa virada para cima.

Fica de pé.

— É isso! — diz ele, batendo as mãos duas vezes. — Muito bem!

Volta-se para a garota enquanto Andrew sacode a poeira.

— Como você acha que ele conseguiu?

— Pelo som? Eu diria que ele viu sua respiração, porque ela estava

saindo de sua boca... ou melhor, onde sua boca parecia estar.

— Foi pelo som, Blankenship?

Ele balança a cabeça, tira um graveto dos cabelos.

— Observei as folhas. Você amassou folhas sob seus pés.

— Ótimo — diz ele. — Não posso contestar os fatos.

Eles esperam.

— O deslocamento funciona bem contra adversários humanos e sem

mágica. Além disso, é um feitiço barato. Não custa muito. Você deveria

conseguir fazer mais algumas outras coisas ao mesmo tempo,

praticando.

Ele pronuncia as palavras de um jeito esquisito.

Ajusta a dentadura.

Eles esperam.

Gatos diante de uma lata de sardinhas.

— Agora — começa ele —, se você se unir a outro usuário, qual é a

regra número um?

— Não faça isso — dizem os dois depressa, como aprenderam. Não

porque sabem o que isso significa, mas porque querem acertar.

— Certo. Não façam isso. E por que não?

— Os dois podem morrer — eles dizem ao mesmo tempo.

— Exatamente — diz ele. — Lutar contra outro usuário com magia é

como bater de frente em outro carro. Você pode se sair um pouco

melhor, mas, a menos que tenha sorte, não vai ficar bem.

— E se vocês não tiverem igualdade de força? — pergunta Andrew.

— Nesse caso, seria um ato idiota ou desonesto, e reprovo as duas

opções. Mas, às vezes, situações idiotas ou desonestas podem acontecer.

E aqui está a terceira lição sobre magia negra. Vocês devem ir à mata

dos pinheiros e encontrar o graveto mais parecido com espada que

sintam que possam levitar. Vamos lutar esgrima.