Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 121 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 123

 

Anneke voltou da pedreira de Michael Rudnick, repentinamente cheia de

força. Sabe que tem uma oportunidade limitada de fazer essa coisa

horrível, sabe que sempre que resiste à tentação acabará fazendo, que

tem que fazer.

No porão.

Sete estátuas de sua amante adolescente, Shelly Bertolucci.

A maioria delas é pequena.

A melhor é de tamanho real.

Sabe que vai ter que ensinar a ela a ser uma pessoa de verdade, não

só uma pedra transformada em carne seca.

Ela improvisa.

Queima fotos da Shelly real e esfrega as cinzas na estátua.

Pega a mecha de cabelos de Shelly que guardou e coloca na cabeça

da estátua.

Queima uma carta de Shelly, coloca as cinzas nos lábios da estátua.

Toca seu próprio sexo úmido e umedece o de Shelly.

Beija os lábios de pedra, deixa a própria saliva na cinza.

Derrama leite em seu seio e esfrega no seio de Shelly.

Quando está pronta, transforma uma folha de bordo vermelha em

pedra.

Apressa-se, sopra o fogo da vida da folha para a estátua, que fica

vermelho-bordo primeiro, depois vira pedra.

Na terceira tentativa, a pedra vermelha brilha como brasa de carvão,

tirando Anneke do porão com seu calor, fazendo seu medo se acender, e

então esfriar, amaciar, ficar cor-de-rosa, cor de carne, e então se tornar

carne.

Ela respira com dificuldade.

Solta o ar.

Soluça.

Mexe os dedos.

Os olhos.

Envolve Anneke com os braços quentes.

Diz: “Obrigada”.

Anneke ri e chora.

Fala:

— Ah, merda.