Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 104 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 106

 

Vanya atira, atira em um dos faróis, mas a coisa não para. Buttercup se

curva para pegar um tronco. Vê Kolya congelado de medo, bem perto.

Amassa-o com o tronco com a mesma facilidade que um homem teria

para matar uma rã, esmagando-o no solo. Kolya se foi. Vanya corre para

dentro da mata densa, para longe do gigante.

Algo faz com que tropece.

A cauda de um dragão?

Presa a um aspirador de pó?

Agora, uma cabeça com bico de latão e metal se vira para olhar para

ele, com asas pretas e grandes se abrindo.

Ele tenta apontar o rifle, mas os olhos da coisa brilham.

Estou queimando!

A dor é imensurável.

Então, ele para de queimar.

Está correndo por um campo de girassóis, correndo em uma posição

de artilharia alemã.

Barulho ao redor, mas ele sente grande alívio.

É tão bom não estar queimando que ele ri, ainda correndo.

E, então, escuta o zunido.

Um morteiro de 88 milímetros se aproximando.

Está vindo na minha direção, bem para cima de mim!

Ele se joga no chão.

Mas o zunido se torna mais alto.

Sabe que o morteiro vai aterrissar quase em cima dele, parece ver a

sombra do projétil crescendo em um ponto perto de sua cabeça. Ali

baterá no chão, nos girassóis e vai explodir.

Vanya vai se misturar aos girassóis.

Hora para mais um pensamento.

Girassóis. Não é tão ruim.

 

Kolya se sobressalta, louco de medo, quando o touro gigante parte em

sua direção.

O minotauro ergue o tronco enorme de uma árvore.

Ele vai me destruir! Socorro! Socorro!

Então ele não está mais em um quintal cheio de neve, do lado de fora

da casa de um homem rico, sendo destruído por um touro-homem

gigante.

Está de pé, o pênis na mão, urinando em uma parede baixa de pedra,

perto das ruínas de uma casa de campo.

— Ah — diz ele, aliviado por esvaziar a bexiga.

Relaxado.

De repente, Kolya sente a pressão na cabeça, uma pressão enorme.

Não consegue mais ver.

Escuta o tiro do rifle.

Ai!

Atirador!

Kolya sente que está caindo de um modo mudo, como se outra pessoa

estivesse caindo.

Escuta os amigos contra-atacando na linha da árvore.

Quase dois quilômetros dali e batendo em retirada.

Ele consegue dizer mais uma frase:

— Aquela cadela mentiu.