Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 124 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 127

 

Baba Yaga se vê outra vez sem corpo.

O guerreiro no penúltimo corpo dela não está vulnerável.

Está ofegante na poltrona de couro como um filhote.

A nova bruxa também não está dando abertura.

Baba nunca se sentiu tão fraca.

Se eu não encontrar um corpo logo... Mesmo que encontre, não sei se

terei forças para pegar alguém.

Mas acho que sim.

Mais um.

É quando ela vê a luz quente e vermelha.

Um carro da polícia?

Uma policial seria uma boa hospedeira. Baba poderia voltar ali e

atirar naquelas duas, mas sua força está tão baixa que talvez não

conseguisse saltar depois para outro corpo sem preparar certas poções,

usando a Bruxa do Leite para exaurir um rapaz iluminado ou uma moça

iluminada para se alimentar. Nada bom. Acabar a vida em uma prisão

americana seria uma piada sem graça.

Não, seja lá para onde for em seguida, vai precisar de tempo para

reunir forças.

Ela sai pela porta da frente arruinada.

A luz brilha entre as árvores.

Na estrada abaixo?

Ela passa pelo tanque, passa pelo guerreiro morto.

O homem de palha com a cabeça de quadro está afastando os corvos

de um jeito patético, tentando fazer com que parem de comer seu dono.

Boa sorte, sobaka.

Quando ela chega à estrada, não vê carro de polícia.

O brilho vermelho está vindo de cima.

Isso não está certo.

Ela espia

com qual pescoço?

e olha

com quais olhos?

para ver.

Uma enorme nuvem vermelha de luzes que se mexem (olhos?), uma

nuvem grande como um dirigível, uma parte obscurecida pela fumaça

oleosa e pela névoa deixada pela neve e então pela ausência de neve.

Ela sabe o que é.

Um coletor.

Um limpador.

Vem em busca de espíritos rebeldes.

Dentro de um corpo, você não pode vê-lo e ele não pode te ver.

Fantasmas se escondem do coletor, mas por fim, em dez anos ou

trezentos, o coletor chega até eles.

Sou um fantasma!

Ela foge, entra na casa do outro lado da rua.

Um cachorro com três patas late para ela.

Ela entra na casa, ninguém embaixo, no andar de cima só um homem

morto e duas bonecas queimadas.

Cortinas queimadas.

Um fantasma com cara de bravo está perto deles.

Saia da minha casa!, grita para ela.

Ela visualiza a vida dele em um instante.

Um homem fraco e irado.

Vá depilar suas bolas, diz ela.

O cachorro late.

O cachorro então! Vou me esconder no cachorro!

Será que em um cachorro ela viveria tempo suficiente para reunir a

força necessária para expulsar uma pessoa?

Sobraria o bastante dela para ter linguagem?

Ela poderia ficar presa em um cachorro aleijado por anos.

Até para sempre.

A casa é tomada por uma luz vermelha.

Um tipo de olho observa.

Melhor em um cachorro do que dentro daquela coisa maldita.

O olho vê o homem irado com ódio.

Um tipo de mão alcança a janela.

NÃO! NÃO! NÃO! O homem berra, mas é levado mesmo assim.

É dissolvido totalmente, ao que parece.

Assim termina a mais curta assombração na história do estado de

Nova York.

Baba corre para baixo.

Tenta entrar naquele cachorro, mas ele corre de um lado para o outro,

latindo para ela.

Tenso demais, rápido demais.

Como um cão perneta consegue se mover tão depressa?

Agora, a coisa vermelha enorme acabou com o homem irado.

Ela vai para a mata.

Pense em voltar para a casa do Ladrão e pegar o corvo.

Pequeno demais.

As matas ficam vermelhas.

Não!

Você não vai ME pegar!

Espere... o que é isso?

No vão de um toco de madeira.

Algo se retrai.

Grande o bastante, pensa ela.

Então, reconhece.

O absurdo da situação a atormenta.

Um gambá?

Pior do que isso.

Um gambá-fêmea prenhe?

Um tipo de olho olha para ela por meio de uma coroa de folhas de

bordo.

Aqui está o diabo!

Temeroso, o gambá mostra os dentes.

Tem bons motivos para sentir medo.

Baba Yaga empurra.

O gambá grita.

A luz vermelha vai embora.