Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 57 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 58

 

 

CHICAGOHONEY85: Isso é bem bacana para quem gosta de coisas pesadas. Mas acho que você não gosta dessas coisas tanto quanto eu. Tem certeza de que está a fim de ver isso?

RANULF: Mostra. Preciso saber.

 

— O quê, você não confia em mim? Não vou dizer que sei se eu não sei. E é uma bruxa morta. Morta pra valer, mortinha da silva.

— Legal. Então me mostra.

— Como está meu carro?

— Você vai gozar.

— Acho que está tentando dizer gostar. Porque gozar é tipo um homem ejacular, o que é anatomicamente errado e um pouco inadequado.

— Eu quis dizer gostar.

— Eu sei. Um cara como você se garante e não precisa bancar o babaca. Não tem nada que eu odeie mais do que caras que querem causar.

— É compreensível. Você vai me mostrar?

— De que cor é?

— ?

— O carro!

— Cereja. Um Mini Cooper.

— *AAAHHH!* Certo, aqui está seu agradinho mórbido. Já vou avisando que é esquisito. Não sabia que coisas assim aconteciam. Bem doido. As imagens foram feitas em intervalos de dois segundos.

 

Uma foto aparece. Preta e branca, foto de satélite militar. A cabana, o

jardim, é difícil distinguir. De manhã cedo. O pé de uma senhora, um

chinelo perto. É impossível não notar o eco de O Mágico de Oz.

Ding-dong, a cadela está morta.

 

— Consegue dar um zoom naquele sapato?

 

Ela aproxima a imagem. Fica meio embaçado, mas ele acha que pode

ser um chinelo antigo. Não vermelho. Bordado.

Ele não sabe, mas acha que já viu o sapato antes.

O estômago dele se embrulha.

— Clique quando estiver pronto para ver a próxima imagem. A coisa vai esquentar.

 

Ele clica.

Um lobo se abaixa no caminho. Um lobo magricela, não como

aqueles vistos em fotos do Alasca ou de Yellowstone — seu pelo é mais

cinza e desgrenhado, e o animal parece muito faminto.

Pequeno. O focinho afilado como uma arma apontado na direção do

pé inanimado.

(Clique)

Aquele lobo está quase fora da linha, só o rabo fica visível. Está

cheirando o corpo. Talvez esteja fazendo mais do que isso. Dois outros

lobos aparecem no caminho diante do casebre para dividir a

recompensa.

 

— Agora, observe a casa.

 

(Clique)

A casa virou.

Ele vê uma das janelas como um olho escuro.

Virou noventa graus em direção aos lobos, à mulher morta.

(Clique)

Totalmente virada, de frente para eles.

Mais lobos chegam, dois deles agachados e rosnando para a casa, os

demais ao redor do corpo.

Alimentando-se.

 

— Você não vai acreditar nisso. Está sentado?

 

(Clique)

Movimento. As coisas ficam embaçadas agora. Algo brilhou debaixo

da casa, desencadeando uma reação nos lobos. Um deles foi lento

demais. O borrão tomou o animal.

(Clique)

Uma pata enorme de galinha.

É o que pegou o lobo.

Ainda embaçado, um pouco menos agora, e ainda em movimento.

O lobo se esforça, tentando se livrar.

(Clique)

O lobo está morto.

Os miolos dele estão espalhados pelo chão, morto como a iguana de

Haint.

Dois outros rosnam para a casa, com as patas da frente abaixadas,

como cães brincando, mas sem brincar. Não chegam a cercar a casa,

como poderiam cercar um alce gigante, mas bloqueiam o acesso ao

corpo, enquanto os outros se retiram.

O resto da matilha está arrastando a velha, cerca de um terço dela na

imagem agora, tomada por sangue seco.

(Clique)

Tudo borrado, a casa girando, movimento por baixo.

(Clique)

A casa virando, só um canto dela aparecendo.

Dois lobos mortos jogados como trapos.

A mulher e os outros lobos se foram.

(Clique)

Só o jardim.

O caminho.

Um dos lobos tentando se levantar.

Não estava morto, no fim das contas.

Mas vai estar em breve.

Grande parte do que existia dentro dele está para fora.

 

Essa é a última imagem.

Ele clica e passa por elas mais duas vezes.

 

— O que você acha?

— Acho que você pode estar certa.

— Estou certa. Ela está mortinha da silva. Você está limpo, cara.

— Obrigado. De verdade, Radha, obrigado.