Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 76 de 134

Páginas do PDF

Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 77

 

Andrew encontra a seguinte mensagem em sua própria página de

eventos no Facebook:

 

A MORTE RUIM DE ANDREW BLANKENSHIP

 

Em breve! Até ???

 

On-line

 

As coisas não andam muito boas para o americano que tentou muito

se safar. Essa morte será ainda mais divertida do que o PÉSSIMO CORTE DE CABELO de CHICAGOHONEY85!!! (VOCÊ deve conferir os convites para eventos, é deselegante não responder) (MAS eu e três amigos estávamos lá, dissemos oi por VC).

Resultado: nada mais de esconder dinheiro$$$ para impostos, chega de histórias do passado, mas, opa! A pornografia continua disponível. Até ???

Isso também será pela morte de um bom homem, Mikhail Yevgenievich D. E pela morte da velha babushka na Ucrânia.

(Você tem andado ocupado!!!)

Traga: apenas você mesmo! Livros e relíquias roubadas há muito tempo voltarão a seu lar de origem e se alguma estiver faltando ou estiver destruída — mais pessoas na sua lista de amigos vão receber convites como o seu! (Espero que sim)

 

Comparecerão: Andrew Blankenship

Talvez: Todo mundo da lista de amigos de Andrew.

Não comparecerão: Radha Rostami

 

Andrew não consegue contatar Radha nem pelo computador nem pelo

telefone.

Não sabe se a mensagem foi uma mentira para desequilibrá-lo, mas

suspeita que não.

A situação o deixa furioso, embora devesse estar triste.

Esse sentimento, por sua vez, o deixa de mau humor.

Ele chama Chancho.

Chancho faz Andrew treinar duro, dando joelhadas no protetor do

quintal até sentir que não pode mais erguer a perna.

Faz com que se esforce, empurrando a cabeça do oponente para a

frente, de modo que possa bater o joelho na cara e na cabeça.

Chancho vai embora.

O pingente que desvia balas chega por UPS.

O motorista buzina animado quando o caminhão marrom se afasta.

 

Manhã.

Andrew fica de pé diante do espelho de latão, observando o próprio

reflexo. Quase todos os seus hematomas ganharam um tom amarelo-

esverdeado ou já desapareceram. Ele se cura depressa com a mágica da

juventude. Está prestes a melhorar a aparência, escurecer os fios

grisalhos que permitiu que despontassem.

Então, se lembra de um som.

O som de vidro se quebrando.

O vidro que ele encantou para não ser quebrado.

É isso que está esgotando a mágica.

Minha vaidade.

Sabe que feitiços de juventude queimam muito combustível. Ele teve

que dar uma maneira na idade aparente — ter cara de vinte e cinco

queima quase tudo que você tem quando já passou dos cinquenta, mas

trinta e cinco é aceitável.

Era aceitável.

Vai ficando muito mais difícil todos os dias.

Será que é bonito demais para lutar?

Ele deixa um pouco mais de fios grisalhos.

Sente a casa ficar mais forte ao redor.

Ela havia enfraquecido aos poucos, tão devagar que ele nem sequer

tinha percebido.

Só as coisas que usava continuaram fortes, como o portão no

corredor.

Será que as coisas no sótão ainda funcionariam?

O aspirador-cocatriz?

A casa da boneca?

Agora, ele vai precisar de magia ofensiva.

O máximo que poderia reunir.

Onde mais conseguiria economizar?

Os feitiços usados para se esconder.

Gastei meses nesses!

Será difícil criá-los de novo.

Mas você sabe bem, e muito bem, que só está se escondendo dela.

Ela já sabe onde fica a casa.

Tudo bem.

Tudo bem.

Tornarei a casa visível.

Vou interromper os feitiços de juventude.

O que você ver é o que terá.

Ele aceita ficar mais velho.

Sente o corpo inclinar-se um pouco.

Sente os músculos mais finos, sente uma dor no joelho.

Vê o fumante de cinquenta e dois anos com cabelos compridos

olhando para ele, com o rosto marcado e magro.

Faz menção de levantar os cabelos secos e grisalhos com o pente de

madeira, ao estilo samurai, mas percebe que isso também é vaidade. Os

cabelos são uma antena para a magia: os índios sabiam disso.

Os magos sabem disso.

Ele deixa os cabelos soltos sobre os ombros.

Sou mais velho do que meu pai já foi.

Sou um homem velho.

Mas sou forte.

Mais forte do que nunca.

Não sou um maldito usuário.

Sou um guerreiro.

Ele passa as três horas seguintes desfazendo o feitiço que lançou para

esconder a casa. Os vizinhos já conseguiam ver a residência, mas agora

motoristas e crianças de bicicleta também podem. Qualquer um poderia

encontrar a casa, sem precisar que antes alguém dissesse ou mostrasse.

No entanto, se alguém mal-intencionado tentasse algo em relação a

Andrew Ranulf Blankenship, talvez se arrependesse disso.

Era a hora de fazer feitiços de guerra.