Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 117 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 119

 

 

— Ela decapitou você. No segundo golpe. O primeiro foi meio...

bagunçado. Por sorte, não houve muito tempo entre um e outro. Ela é

bem rápida. Deve ser a musculação com kettlebell.

Andrew está sentado em sua biblioteca

Com aquele corpo?

falando com um velho ator britânico, talvez sir Alec Guinness, talvez

sir Laurence Olivier, talvez até sir Ian McKellen. O ator parece se

transformar ora em um, ora em outro. Está em uma poltrona de couro.

Pernas cruzadas à altura do joelho. Usa um cravo amarelo e sapatos

Oxford marrons.

Meias bege na altura dos tornozelos.

Ichabod.

E agora?

— Ah, você vai gostar disso. Será muito gratificante. Entre nesse

ovo.

Dizendo isso, o velho téspio sorri e segura um ovo de galinha grande

e vermelho.

Por quê?

— Primeiro de tudo, porque você não tem alternativa, tem? Nenhuma

de que gostaria, pelo menos. Em segundo lugar, porque terá uma

ressonância ótima. Um eco, se assim preferir. Ela matou você com o

mesmo sabre que você usou ao tentar acabar com ela. Agora, devo

ensinar a você um truque aperfeiçoado por um dos compatriotas da

mulher. O que a geração depois da nossa chama de frenemy. Claro, eles

normalmente se tornam inimigos. Percebo que você está se preparando

para perguntar quem era o frenemy de Baba Yaga, então se poupe. Um

cara chamado Koschei. Ele costumava esconder a morte do corpo para

que não pudesse ser morto. Costumava escondê-la em um ovo. Você é um tipo de eco dele, sabia? De Koschei. Vocês nasceram na mesma data,

têm a mesma maneira de andar. Até mesmo os mesmos olhos puxados,

ele tem um quê de tártaro, você tem um quê de shawnee. Um eco é algo

muito importante: simetria e repetição são as bases da ciência, da magia

e da criação. A criação é binária.

Ele invocou você também.

— Sim, invocou. Quase de modo eficiente. Ele me invocou para

destruir uma certa bruxa para ele. O problema foi que ela me deu a

ordem para não feri-la. Quase de modo eficiente. Você entende o

estresse que isso me causou, ficar preso em direções contraditórias.

Ordens não cumpridas não agradam a criaturas como eu. Talvez seja a

coisa mais próxima que a gente sinta de culpa. De qualquer modo...

Você sabia. Sobre tudo isso. E você me usou. Para acertar as contas

com ela.

— Por aí. Aborreci você? Pensando bem, retiro a pergunta, não é pra

valer. Não importa se aborreci você.

O velho ator risca um fósforo, acende um cachimbo.

Ichabod. Vá ajudar Anneke.

— Sinto muito, mas não recebo mais ordens suas.

Por que não?

Ichabod olha para ele como quem olha para um aluno que

decepciona.

— Porque você está morto.

A entidade abre um sorriso vencedor.

— Agora, entre no ovo ou vou levá-lo até o inferno.