Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 99
Andrew tem alguns minutos antes de a casinha chegar.
Dois? Seis? Menos de dez.
Dirige o Mustang ladeira acima, vira à esquerda na frente de sua
garagem, passa por cima da horta, deixa o carro atrás da casa.
Vai para a porta da cozinha.
Diz palavras que vão desfazer as travas mágicas que ele sabe que
Salvador teria colocado. Sal o cumprimenta, ansioso, com a pelve
voltada para a frente, como se quisesse ter uma cauda para balançar.
O Traço Mágico escreve MICHAEL e o homem de palha aponta para
cima. Andrew pega o cajado sobre a lareira, sobe os degraus de dois em
dois, entra no banheiro da suíte e encontra Michael Rudnick molhado na
banheira, piscando, assustado.
Ele está molhado porque pulou na pedreira para chegar ali, cavando
seu túnel de saída para a casa de Andrew.
— Odeio essa coisa maldita — comenta ele. — Não tenho que sair
assim, tenho?
— A banheira é a exceção — responde Andrew. — Não se pode
entrar por uma porta e sair pela outra.
Michael dá uma boa olhada no amigo, com os cabelos brancos sobre
os ombros.
— Já era tempo — diz ele. — Você está bem. Parece crescido.
Rudnick sai, pingando, joga um saco de lixo no chão, abre e tira uma
mochila de couro.
Põe nos ombros.
Andrew vai para a biblioteca.
Pega um objeto de uma caixa que precisa pegar por um ventilador de
metal antigo.
Uma mãozinha parecida com a de um macaco.
Coloca-a no bolso do casaco.
— Isso é...?
— Sim.
— Merda — Michael diz.
— Merda — diz Andrew, olhando pela janela do sótão.
— É — concorda Michael.
Flocos de neve começaram a grudar na janela e a derreter.
Um trator sem motorista está subindo a rua.
O trator se vira de lado, parece continuar andando de lado, contra a
direção das rodas, e então a ilusão falha e os homens veem uma casinha
com patas de galinha subindo a rua, os bordos ao redor recolhendo os
galhos ou se vergando para deixar o casebre passar.
Enquanto Michael se aquece para tentar petrificar as pernas, a coisa
vira de lado, pula pelo gramado, desaparece na mata.
— Merda — diz Andrew.
— É.