Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 97 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 99

 

Andrew tem alguns minutos antes de a casinha chegar.

Dois? Seis? Menos de dez.

Dirige o Mustang ladeira acima, vira à esquerda na frente de sua

garagem, passa por cima da horta, deixa o carro atrás da casa.

Vai para a porta da cozinha.

Diz palavras que vão desfazer as travas mágicas que ele sabe que

Salvador teria colocado. Sal o cumprimenta, ansioso, com a pelve

voltada para a frente, como se quisesse ter uma cauda para balançar.

O Traço Mágico escreve MICHAEL e o homem de palha aponta para

cima. Andrew pega o cajado sobre a lareira, sobe os degraus de dois em

dois, entra no banheiro da suíte e encontra Michael Rudnick molhado na

banheira, piscando, assustado.

Ele está molhado porque pulou na pedreira para chegar ali, cavando

seu túnel de saída para a casa de Andrew.

— Odeio essa coisa maldita — comenta ele. — Não tenho que sair

assim, tenho?

— A banheira é a exceção — responde Andrew. — Não se pode

entrar por uma porta e sair pela outra.

Michael dá uma boa olhada no amigo, com os cabelos brancos sobre

os ombros.

— Já era tempo — diz ele. — Você está bem. Parece crescido.

Rudnick sai, pingando, joga um saco de lixo no chão, abre e tira uma

mochila de couro.

Põe nos ombros.

 

Andrew vai para a biblioteca.

Pega um objeto de uma caixa que precisa pegar por um ventilador de

metal antigo.

Uma mãozinha parecida com a de um macaco.

Coloca-a no bolso do casaco.

— Isso é...?

— Sim.

— Merda — Michael diz.

 

— Merda — diz Andrew, olhando pela janela do sótão.

— É — concorda Michael.

Flocos de neve começaram a grudar na janela e a derreter.

Um trator sem motorista está subindo a rua.

O trator se vira de lado, parece continuar andando de lado, contra a

direção das rodas, e então a ilusão falha e os homens veem uma casinha

com patas de galinha subindo a rua, os bordos ao redor recolhendo os

galhos ou se vergando para deixar o casebre passar.

Enquanto Michael se aquece para tentar petrificar as pernas, a coisa

vira de lado, pula pelo gramado, desaparece na mata.

— Merda — diz Andrew.

— É.