Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 118
O que acontece em seguida não é muito gratificante.
Nenhuma batalha culminante entre mago e bruxa que se
transformam.
Simplesmente acontece.
Um homem mais velho com cabelos brancos compridos e uma
jaqueta sai para o quintal, seguindo em direção à mata, procurando a
casa com a perna quebrada.
Um tanque incendiado.
Bonecas sangrentas, fragmentos de carro, pedras esquisitas estão
espalhados pela neve.
Ele quer encontrar a mulher que ama.
A nova bruxa.
Ele vê a casa, deitada de lado, recostada em uma árvore.
Sem energia.
Um homem barbudo olha pela janela para ele, segura uma lente
quebrada diante de um dos olhos.
Isso distrai Andrew.
O mago só a vê tarde demais.
Vindo até ele pelo lado direito.
A bruxa.
Sorrindo para ele.
Sem delicadeza.
Mostrando os dentes.
Aproximando-se com o sabre erguido.
Ele tem alguma coisa no bolso que pode ou não parar o coração dela,
mas é tarde demais para pegar.
Ele vomita a última cusparada de dardos contra ela.
Mas ela endureceu a pele, e as pontas dos dardos são entortadas ou
totalmente destruídas.
A lâmina continua vindo.
Ele conhece aquele sabre.
É o que ele próprio usou na mãe da mulher.
Nela.
Ele compreende depressa.
Marina nunca mostrou os dentes ao sorrir.
O sorriso é o sorriso da mãe dela.
Satisfeito, superior, predador.
O rosnado de um lobo.
É Baba Yaga.
Ela pegou o corpo da filha.
Como sempre faz.
Como sempre fez.
Sua namorada está morta há muito tempo.
Mas o corpo ainda é forte.
O sabre brilha sob a luz do poste.
Uma luz suburbana estranha ilumina um sabre da cavalaria.
Descendo no pescoço dele.
Ele se lembra do cajado.
Faz menção de erguê-lo.
Tarde demais.
Dói.
E então para.