Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 27 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 26

 

 

— Ele ainda está vivo?

— Não.

Silêncio.

— Ele te ensinou o que você está fazendo agora? Comigo?

— Sim — responde Andrew.

— Tenho certeza de que você pensou em tentar isso com ele.

— Ele me pediu para não fazer isso.

— Por quê?

— Não disse o motivo.

E ainda assim eu faço com você.

Bill assente, pensativo. E então diz:

— Tem mais coisa, não tem? Você não está apenas sozinho. Está com

medo.

— Sim.

— E esse medo faz você sentir falta de John Barleycorn.

— Está mais para Gilbert Grape para mim, mas sim.

Ele não vai conhecer essa referência.

— Fico feliz que tenha me procurado.

— Mesmo?

— Fico, sim.

— Você é mesmo você, não é, Bill?

— Não sei responder a isso.

Bill seca os olhos de novo.

Quantos alcoólatras gostariam de conseguir fazer isso? Que dariam

qualquer coisa por essa chance? Conversar com ELE. Agradecer a ELE

pessoalmente. Por que é justo que eu guarde isso para mim? E se eu

deixar Anneke vê-lo, o que é? Estarei me exibindo? Devo deixá-lo ir.

Queimar essa fita.

— Andy.

Mas ele me chama de Andy.

— Sim?

— Não me mande de volta ainda.

Andrew ergue as sobrancelhas em vez de perguntar por quê.

Bill W. diz:

— Da próxima vez que eu acordar... conversar... estarei conversando

com você. Sou sempre o mesmo, mas você... estou um pouco

preocupado a respeito do que você terá para me dizer quando voltarmos

a nos ver. Há uma nuvem pairando sobre você.

— Uma nuvem?

— Não sei como dizer isso. Só que... fique aqui comigo por um

minuto. Tem música aqui?

— Música?

— Sabe... um fonógrafo?

— Tem música.

— Toque alguma coisa. Por favor.

Andrew vai até o rádio.

Liga o rádio por satélite.

Liga o canal dos anos 1940, em alto e bom som.

Bill W. fecha os olhos, inclina-se em direção à tela.

Mexe a cabeça no ritmo da música, com sutileza, fazendo Andrew

pensar em uma cobra saindo do cesto para um encantador de serpentes.

Agora Andrew chora.

— Aí vem ele — diz Bill, com os olhos ainda fechados.

E, então, ele abre os olhos repentinamente, com força, e diz:

— Você é quem precisava da música. É um catalisador para seus

sentimentos, como a bebida costumava ser. Desligue-me quando quiser,

filho. Está tudo bem.