Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 55 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 56

 

Andrew roda pelas estradas no Cooper, vindo da oficina North Star,

admirando o bom funcionamento do veículo. Meio instável nos

obstáculos, mas tranquilo nas curvas. Não engole estrada como o

Mustang: vence distâncias (o maldito carro sem dúvida pensa em

quilômetros, independente do que o hodômetro diga) como segundos em

um relógio de corredor. Radha vai ficar feliz. Seis horas de feitiços e

pensamento direcionado, um pouco de penas de beija-flor no tanque de

gasolina, uma boa massagem na carcaça com cera preparada.

Ingredientes da cera: cera de abelha, pelos de texugo, casco de

caracol, partes de uma mola de brinquedo, cinzas de trinta multas de

estacionamento. Conseguir os pelos de texugo não seria uma tarefa fácil,

mas aí Andrew se lembrou de que as escovas antigas eram feitas com

pelos desse tipo de animal — então comprou uma Vulfix 403 do Melhor

Texugo de um cara levemente iluminado, mas sem prática: o jovem

dono da Classicshaving.com.

Agora, o Cooper funciona com água e se encaixará em qualquer vaga

de estacionamento, desde que o proprietário acredite que isso seja

possível.

Perfeito para Chicagohoney85.

Ela acredita em qualquer história que envolva o próprio sucesso.

Por isso é tão poderosa.

 

Andrew estaciona na frente da casa e vê um homem esperando na

varanda.

Um homem mais velho.

Michael Rudnick.

Os dois trocam acenos breves.

Ele estaciona o Mini cor de cereja ao lado de seu Mustang, continua

seguindo até ficar na frente de sua garagem anexa.

Desliga aquele motor lindo e certinho.

Michael já está se aproximando.

— Você continua igual — diz o mago mais velho quando Andrew sai

e fica de pé.

Não é um elogio.

Michael sabe que Andrew está queimando magia para fazer com que

se pareça mais jovem.

Provavelmente muita magia.

Michael não continua igual. O cabelo ainda estava quase todo escuro

na última vez em que se encontraram. A pele parece mais manchada

também, os tons castanhos e ruivos mais separados, o bronzeado

saudável menos acentuado do que Andrew se lembrava.

Aquele cara parece um candidato a ter câncer de pele.

— Bom te ver, Michael.

Andrew gosta de dar abraços, mas Michael não. Por isso, Michael

aperta a mão do amigo no caminho e vai até a varanda.

— O que você acha da Anneke?

— Iluminada pra caramba.

— Pensei que fosse só um pouco.

— Só um pouco pra você. A mecânica e os mortos são sua

especialidade. Quando o assunto é pedra, você é só um pouco

iluminado. Qual é o tamanho da pedra que podemos mover?

— Talvez um tijolo.

— Ela estará movendo tijolos no fim da semana, se tentar. Talvez

mais. Sei que ela consegue fazer isso com minerais, é meio assustador.

Você fez bem em me chamar.

— Onde ela está? Ela vem?

— Hoje não. Passei a ela um pouco de lição de casa.

 

Os dois homens não entraram ainda.

Michael se aproxima do monte de carros e de lixo, encosta as mãos e

o rosto nas pedras.

Entrelaça os dedos nas vinhas e toca os galhos e as folhas da árvore.

Sobe e toca os chifres do crânio do touro de chifres compridos. Mexe

em um dente amarelo e herbívoro em um espaço do crânio sorridente,

preso ao poste, um inadequado exílio ocidental nessa província úmida

do norte.

De volta às rochas maiores, há três delas: uma do tamanho de uma

televisão antiga, outra do tamanho de uma poltrona dupla e uma terceira

do tamanho de um Fusca, um obstáculo.

Pedras menores estão espalhadas, embora pesadas demais para serem

erguidas.

Rosto e mãos em todas elas, como um médico.

Como se tivesse um estetoscópio.

Sem pressa, talvez dez minutos imerso naquilo.

— Como está?

Michael sorri.

Assovia observando.

Como homens mais velhos fazem para dizer uau.

— Ainda ali. Tudo ali ainda.

Ele parece orgulhoso como nunca.

Já fazia dez anos desde a construção.

Desde que os dois colocaram um feitiço ali.

Salvador ainda era um cachorro.

Andrew tinha bebido.

Sarah.

Não vamos começar a pensar em Sarah.

Esse feitiço.

Esse feitiço de merda.

Evidentemente, ele não estragou tudo naquela época.

— É mesmo? — pergunta ao outro mago.

Mas ele sabe.

Ele coloca a mão no capô do Mustang batido, sente o batuque da

magia ferrosa incrustada.

Isso é forte de verdade.

— Provavelmente ainda vai estar aqui em dez anos. Fizemos direito.