Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 61 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 62

 

O sonho é o mesmo sonho.

Sempre o mesmo sonho.

O sonho soviético.

 

Ele volta a ter vinte e três anos, arrogante, forte, bonito como uma

garota, irresistível a mulheres de qualquer lugar. Ele passa com

facilidade pela Rússia soviética, usando magia para superar a burocracia,

inteligente em alguns pontos, mas fria. Secular. Incapaz de permitir o

impossível. Está jogando xadrez com adversários que não conseguem

ver todas as peças, que conseguiriam derrotá-lo se tivessem pensado na

hipótese de que talvez não pudessem ver todas as peças.

Os documentos de Andrew dizem que ele é um cidadão soviético.

A magia lhe confere um russo impecável.

A magia faz brotar respostas perfeitas em seus lábios.

Ele é leve demais para a polícia.

É esperto demais para a KGB.

Ele está à procura de livros mágicos raros, tesouros perdidos desde a

época dos czares.

“De todos os livros de feitiços e antiguidades que existem, vistos por

testemunhas confiáveis ou mencionados em outros trabalhos, apenas

25% deles, aproximadamente, estão em mãos conhecidas”, dissera seu

mentor. Ao ouvir falar sobre livros mágicos, Andrew permaneceu como

um gato diante de uma lata de sardinhas. “Do resto, continua se

acreditando que uma quantidade desproporcional se acumulou onde

atualmente fica a União Soviética. Alguns se escondem à vista, sem

dúvida, esperando em livrarias pela primeira pessoa iluminada que fará

a compra por menos de um dólar americano. A maioria será reunida e

arquivada.”

“Por quem?”

“Não sabemos. Diversos usuários, ainda mais bem escondidos que os

ocidentais e talvez mais poderosos. Conheço um homem, um belga, que

foi para Leningrado em 1973 e voltou com um livro sobre viagem

subaquática, um pouco redundante na era do mergulho, mas mesmo

assim válido. Também conheci um casal que foi para o Volga e não

voltou. O Volga reúne provavelmente a maior parte dos exemplares.”

“Quando eles foram?”

“Em 1975? Jesus, três anos atrás. Vi os dois se casando um ano

antes.”

Agora, no sonho de 1983, Andrew deixou a cidade natal de Gorki, na

região do Volga, e foi de trem e ônibus para o interior, pegando caronas

em caminhões de agricultores, em zaporojets, aqueles carros soviéticos

baratos, e até mesmo em um trenó com barris de leite.

E então.

E então.

 

Andrew tinha passado o dia pedindo carona, com relativo sucesso.

Ele percebe que não come há um tempão e está faminto apenas

quando se vê olhando para uma cena do século XIX.

Dois homens de camisa folgada, colete de lã e calça marrom estão

cortando a grama alta com foice, como se tivessem saído de Um

Violinista no Telhado. Estão trabalhando na lateral de um monte, de

cima para baixo, com o céu azul-claro acima de suas cabeças, um

murmurando para manter o ritmo, o mais jovem balançando sem tanto

vigor, apanhando da foice, cansado. Talvez dezesseis anos.

— Estou vendo que trata a grama como um inimigo, Lyosha — diz o

homem mais velho por baixo do bigode digno de um czar. — Isso não

vai dar certo. Trate-a como uma amiga. Mostre que você só quer colocá-

la para deitar e descansar.

Ele volta a sussurrar uma canção, mas o rapaz continua cortando a

grama e suando, parando por um momento para secar a testa com o

boné.

— Chame o idiota do seu irmão e veja se ele consegue mostrar como

fazer isso.

— Ele não vai vir, tio. Ele está no fogão.

— Chame mesmo assim.

— Ivan! — grita o garoto.

Andrew continua descendo pelo caminho, de olho para ver se

encontra uma possível carona. Mas aquilo.

Aquilo é outra coisa.

Ele começa a andar mais devagar porque quer ver como aquele idílio

vai acabar. Eles ainda fazem irmãos idiotas que gostam de ficar no fogão

na Rússia da Guerra Fria?

Claro que sim. O homem grande que sobe o monte e desce em

direção aos outros dois tem o olho meio puxado, característico da

síndrome de Down, e respira pela boca enquanto diz:

— O que você quer? Eu estava pegando moscas.

— Você não pegou mosca nenhuma, a não ser que elas tenham

aterrissado na sua boca — diz o homem de bigode. — Agora mostre ao

seu irmão como um homem corta grama.

O rapaz entrega a foice ao irmão e Ivan começa a capinar a grama

como um louco, cortando tufos e tufos a cada golpe, rindo. Em pouco

tempo, o irmão pega um punhado de grama e joga em Ivan, saindo do

caminho antes de a lâmina da foice descer de novo. Aquilo se torna um

jogo. O homem mais velho larga a foice e participa da brincadeira,

acertando grama no camponês que ri e se afasta da lâmina.

Andrew agora precisa virar a cabeça para observar, por isso para de

andar e escorrega a mochila pelos braços. Acende um cigarro soviético

de modo que não pareça ser enxerido, apenas um homem descansando e

fumando. Senta-se sobre o saco grande de lona que estava carregando.

Um bando de pardais passa por ali, pousa brevemente na estrada

perto dele e parte de novo.

E então.

Acontece.

O mais novo assume mais e mais riscos com a foice, esquecendo-se

de jogar grama, pulando como um cossaco enquanto o tio aplaude e

grita. Andrew sabe o que vai acontecer um instante antes de acontecer:

finalmente, o irmão idiota se balança mais depressa do que o previsto

pelo outro e corta a perna do jovem acrobático.

Ela cai logo abaixo do joelho.

Ele cai na grama com uma cara assustada.

Seu rosto está muito pálido!

A boca escancarada!

A boca de Andrew também está aberta, com o cigarro preso no lábio

inferior.

O garoto ferido urra de dor. O homem mais velho vai até ele.

O idiota permanece olhando boquiaberto, uma linha comprida de

baba chegando até a grama.

O estado de paralisia de Andrew passa e ele sussurra:

— Jesus.

O garoto fica calado.

O tio está retirando o cinto para amarrar a perna do rapaz, mas se

detém e vira a cabeça na direção de Andrew. O irmão idiota olha para

ele também. O garoto está sentado, segurando o toco ensanguentado,

mais preocupado com Andrew do que com o sangue jorrando pelos

dedos.

— Posso ajudar? — pergunta Andrew em um russo bem falado, mas

com sotaque, seu próprio russo, russo que fede a Ohio.

Então caminha em direção a eles, com as mãos abertas em um gesto

universal para mostrar que é inofensivo.

Nem sequer percebe que seu encanto de fluência falhou.

Os três olham para Andrew estreitando os olhos, com suspeita. Na

verdade, eles têm um olhar tão malvado que Andrew para de andar na

direção do trio. Não tem certeza de que aquilo é o que parece ser.

E, então, percebe.

Magia.

Faz tanto tempo que não sente a magia que agora está cego.

Ele não viu as peças.

O medo desperta dentro dele.

Isso pode ser ruim.

Isso pode ser muito ruim.

— Posso ajudar? — repete o tio, imitando o sotaque americano de

Andrew. — Quem poderia impedir isso?

Ele faz um gesto para a perna ensanguentada do garoto.

— Ou isso? — continua, apontando para o irmão idiota, que leva a

foice para trás.

Ele, então, corta a cabeça do tio.

Ah puta merda merda merda

As pernas de Andrew enfraquecem de medo.

Ele começa a se afastar num ritmo mais do que tranquilo, ainda que

se veja incapaz de deixar de olhar para a cena no campo.

Agora, o grande idiota se inclina, com as pernas abertas, o rego

aparecendo sob a camisa curta demais. Apanha com delicadeza o boné

da cabeça do tio para poder pegar seus cabelos e levanta a cabeça, os

olhos brancos e rolados para trás que voltam ao lugar.

E se fixam em Andrew.

A alguns metros, o corpo do tio está sentado.

E então se levanta, com o sangue jorrando.

Pega o cinto com as duas mãos e solta.

— Agora você quer ajudar? Jesus Cristo quer ajudar? — pergunta a

cabeça na mão enorme do idiota, cuspindo um monte de sangue

brilhante.

O idiota pega a foice com a outra mão e começa a caminhar na

direção de Andrew.

— Acho que ele quer ouvir inglês americano, tio — diz o garoto

ensanguentado, usando uma foice como bengala e mantendo-se de pé

com a perna que sobrou. — Aposto dois copeques que quer.

A cabeça pendurada na mão de Ivan abre a boca e um som parecido

com o de estática de televisão é ouvido.

O chunk chunk chunk de canais de TV sendo trocados, e então...

Notícias.

Uma repórter fala pela boca aberta do tio, com sotaque de inglês

americano perfeito do Centro-Oeste.

— Os restos de um mochileiro americano na União Soviética desde

junho foram devolvidos à família dele hoje...

Andrew se afasta mais rápido.

Cospe o cigarro.

— A mãe do jovem e o irmão mais velho voaram para a base aérea

Wright-Patterson para reconhecer o corpo, que sofreu grande violência

nas mãos de agressores desconhecidos...

O idiota que segurava a cabeça decepada, o garoto sangrando com a

foice e o camponês sem cabeça com o cinto entre as mãos avançam na

direção de Andrew.

Ele dá um passo atrás, morrendo de medo de cair.

— ...as mãos, os pés e as genitálias foram cortados pelo que pareceu

ser um instrumento agrícola, mas a causa da morte foi

estrangulamento...

Andrew continua andando para trás, sem querer tirar os olhos deles.

Percebe que a distância não diminui.

— O secretário-geral Andropov prometeu uma investigação completa

da barbárie, e disse que se encarregará pessoalmente quando sua tosse

insistente desaparecer.

— Socorro! — grita Andrew. — Preciso de ajuda!

— SOCORRO! — grita a cabeça, muito mais alto do que Andrew tinha

gritado, arregalando os olhos para ele.

Ah, virar-se e correr.

Ele se aventura a olhar para trás e constata que a estrada segue em

linha reta, com árvores intermitentes pontuando os pastos repletos de

carneiros e vacas, que circulam com a cabeça abaixada, mastigando

grama.

Quando volta a olhar para eles, os três camponeses estão bem mais

perto, embora Andrew não consiga perceber diferença no modo como

andam. Percebe as botas manchadas de terra.

— Você me devem dois copeques, Lyosha. O homem não queria

ouvir inglês americano.

A cabeça grita e cospe de novo.

Estou sonhando.

Estamos em 1983 e estou sonhando.

Olhe para cima!

Uma série de jatos se espalha pelo céu claro de verão.

Bombardeiro!

— BOMBARDEIRO! — grita a cabeça, sem tirar os olhos de Andrew. —

AJUDE-ME, BOMBARDEIRO!

O idiota gosta disso e diz, como se falasse sozinho:

— Ajude-me, bombardeiro.

Eles continuam caminhando pela estrada por um tempo, Andrew

suando mais do que deveria para um dia frio.

Espera ouvir um caminhão atrás de si, quase reza para ouvir uma

buzina. Assim que pensa isso, a cabeça do tio ecoa o Paaaaaaaaam! de

um caminhão.

Não deve desviar o olhar de novo.

— Ei, Lyosha — diz a cabeça ao rapaz. — Acho que ele não pretende

desviar o olhar de novo.

— Acho que tem razão, tio.

— Não será bom se ele nos vir. Ele pode manter a mesma distância o

dia todo.

— Concordo outra vez, tio.

— Ele é jovem e tem pernas compridas. Não é como você desde seu

acidente, seu estúpido.

— Você também sofreu um acidente, tio.

— Mas o meu não me deixou mais lento, como você pode ver.

Assim dizendo, o corpo que levava o cinto executa algo entre um

espasmo e um tour jeté.

O idiota ri e então morde a orelha da cabeça decepada, para segurá-la

assim e poder bater as mãos.

O corpo pula de novo.

— Vanka — diz a cabeça, revirando os olhos de modo drástico para

olhar para o idiota que a carrega —, quantas moscas você pegou?

A cabeça volta para a mão, para que Vanka possa responder.

— Muitas.

— O suficiente para uma noite?

— Noite! Noite! Noite! — entoa o homenzarrão, e fica claro que

bateria as mãos se não estivesse carregando a cabeça.

— Faça isso, garoto!

Agora, o idiota abre a boca e o que parece um pudim grande e preto

começa a brotar. Ele vomita aquilo na estrada, que se remexe e ondula,

sua superfície lisa sendo acariciada pela luz fraca do sol.

Agora, o rapaz pula com a perna que lhe resta e usa a foice para

acertar o pudim com força, que explode em uma nuvem de moscas

pretas que cobrem o sol.

E a noite vem.

Uma noite sem estrelas.

Andrew corre.

 

O sonho muda e ele se vê em um ninho.

Ou talvez seja uma cama de palha seca?

Algo pinica seu braço, mastigando.

Ele empurra a cabeça para afastar a coisa, que berra com força,

mostrando uma língua negra.

Um carneiro.

Onde diabos eu estou?

Um telhado de madeira está acima dele.

Sem paredes.

Um estábulo?

O sol está se pondo, ou talvez nascendo, lançando uma luz violeta

fraca. Um tridente se ergue do chão, iluminado por trás, e se eriça: dois

de seus dentes oblongos estão prendendo algo com um formato de

cabeça, também iluminada por trás.

Ah, é uma cabeça.

Ela escarra e cospe antes de falar.

— Nosso bebezinho está acordado agora, não é?

Um riso rouco vem de perto do cocho, onde o irmão idiota está

sentado, com a mochila de Andrew virada. Ele desenrola uma calça

jeans desbotada e se surpreende com ela, um cigarro aceso na boca.

Espere até ele encontrar as Playboys

Ele não deveria fumar

Por quê? Porque é retardado?

Especial, dizemos especial agora, porque é mais bacana

— Não queime isso com o cigarro, Vanka... Podemos vender a um

membro do grupo por um preço bem alto — diz a cabeça de onde está.

— Então, querido, você gosta de Jesus, certo?

Andrew não diz nada.

— Você gosta tanto d’Ele que O coloca em uma manjedoura.

O balido do carneiro de novo, como se tivesse sido combinado.

Andrew olha para o campo, onde o corpo sem cabeça está penteando

um cavalo de arado, que permanece de pé com calma, batendo a cauda

para afastar as moscas. Sem dúvida, corpos sem cabeça cuidam de

cavalos o tempo todo nesse infernal conto de fadas russo.

Será que estou no inferno?

Encontrei algo rígido no escuro.

Uma cerca?

Um arado?

Será que eu morri?

— O que foi, você não tem nada a dizer?

Andrew apenas pisca.

A cabeça se remexe e cospe de novo, pedindo licença.

Um sonho que não passa de sonho

Mas eu achei a mesma coisa quando aconteceu

E foi real

— Mesmo em um sonho, é preciso ser educado. Mas não. Vocês

americanos são malcriados. Mesmo que falasse, eu só ouviria o som dos

Estados Unidos saindo da sua boca. Você conhece esse som?

Andrew não diz nada.

— Você gostaria de ouvir esse som? O som dos Estados Unidos?

Andrew balança a cabeça devagar, com dor na cabeça e no pescoço.

— Finalmente! O pequeno tem uma opinião! Bem, o problema é que

ele ouvirá mesmo assim.

A cabeça rosna nesse momento, exibindo dentes tortos por baixo do

bigode grande. O rosnado se torna o som de um motor sendo ligado. Um

motor de helicóptero. Ele abre a boca à medida que os rotores do

helicóptero invisível rodam mais depressa e então, quando os rotores se

movem à velocidade de voo, ele escancara a boca e sopra uma rajada de

vento, quente e fedendo a gasolina, soprando a palha do estábulo com

fúria, afastando os carneiros e espalhando um trio de galinhas. O irmão

idiota tenta proteger o cigarro com as mãos em concha mas, como voa

mesmo assim, ele chora.

A cabeça fecha a boca, interrompendo o vento ruidoso.

— Tudo bem, Ivan. Os Estados Unidos se foram agora e está na hora

das toalhas quentes.

— Toalhas quentes? Eu gosto de toalhas quentes.

— Eu sei. Toalhas quentes são boas.

Agora o rapaz vem por trás de Andrew

O pescoço dói demais para virar e ver de onde veio

De algum modo, carregando um balde, toalhas, uma lâmpada a óleo

acesa e um kit de barbear. O rapaz voltou a ter a perna

?

mas manca de leve enquanto carrega o balde.

Seu irmão pega um banquinho e se senta, com o queixo apontando

para a frente, afrouxando a gola. O garoto coloca uma toalha quente ao

redor do pescoço do homem e sussurra.

O corpo sem cabeça vem agora, limpa o suor do cavalo nas mãos

com sabão e água, tira a toalha e então ensaboa e barbeia o rosto de

Ivan, batendo de leve em uma das faces, quando quer que ele se ajeite.

Maneja a lâmina com destreza.

Andrew estremece.

Se eles fossem me machucar, já teriam feito isso

Quem disse?

— Machucar você? — pergunta a cabeça dos dentes do tridente,

semicerrando os olhos com concentração para o trabalho de barbear ao

qual seu corpo se dedica. — Mais luz! — diz ele, e o garoto enrola o

pequeno botão para ajustar o comprimento do pavio, aproximando a

lamparina.

— Agora, você está no meu caminho.

O rapaz dá um passo para o lado.

— Ótimo. Fique aí.

Ele se remexe, solta um cuspe preto e então olha para Andrew de

novo.

— Machucar você? Por que machucaríamos se você está fazendo um

ótimo trabalho machucando a si mesmo? Você deveria ver o tamanho do

galo em sua cabeça. Não, queremos você bem. Temos muitos acidentes

por aqui. O trabalho rural é perigoso... mas como você saberia quando

há supermercados, putas e favelas? Queremos você são e salvo para

poder nos curar, Jesusinho. Viu como ajudou Lyosha?

Quero acordar

— Então acorde!

Quero ir para casa

— Quem está impedindo? Vá! — diz a cabeça, olhando para Andrew

agora. O corpo também se virou para ele e gesticulou com a lâmina,

como se quisesse apontar a estrada para Andrew caminhar.

Com certo esforço, Andrew mexe o quadril perto da manjedoura, mas

tem algo errado, algo mais do que a cabeça latejante e o pescoço.

Ele tenta se levantar, mas cai no chão, batendo o queixo e mordendo a

língua. Um galo assustado bate as asas meio fracamente e começa a se

pavonear.

Claro que ele caiu.

Ele só tem uma perna.

 

Andrew desperta. Ajusta o travesseiro empapado de suor.

Ao longe, um trem.