Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 112 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 114

 

 

O sótão.

Neve caindo.

Marcas na neve desde a janela da frente, perto de onde estava

Michael Rudnick, que deixou seu posto.

Voltaremos a ele daqui a pouco.

O terrário com a miniatura da casa dos espíritos estremece.

A porta lateral, a porta da cozinha, se abre.

Uma figura esquelética muito pequena e chamuscada cai da porta.

Cai no monte de terra embaixo da casa.

 

O cadáver reanimado de Misha Dragomirov fica de pé com dificuldade.

Para onde foi o Ladrão?

A filha de sua amante o acordou, disse a ele para vingar seu filho.

Ele estica a cabeça, uma tesoura de cozinha cai de seu pescoço.

É a casa ali em cima?

Algo se move perto de Dragomirov.

Atravessa o terreno.

Do tamanho de um cachorro, um grande, mas não é um cachorro.

A luz está fraca, mas é avermelhada.

Algo se move acima daquela cabeça.

Antenas?

Um inseto.

Uma formiga.

Uma formiga grande, bem grande.

Algo dentro da carapaça de Dragomirov está quase com medo.

Estou morto, formiga maldita, você não pode me matar!

A formiga não parece entender isso.

Ela pica o russo com suas mandíbulas: ela é bem forte, mas ele

também é.

Dragomirov afunda os pés no chão o máximo que consegue, rindo

com rouquidão, segurando as mandíbulas como um grandalhão

interceptando um garoto de bicicleta.

Ela curva o abdome, querendo picá-lo.

Mas não consegue!

Isso quase chega a ser divertido.

Então, ele vê a outra.

 

A formiga-de-fogo importada.

Solenopsis invicta.

Comum na América do Sul, levada aos Estados Unidos

acidentalmente nos anos 1920, em barcos com carregamento de frutas, a

formiga-do-fogo é um inseto que não gosta do frio. Mas a colônia de

formigas vive bem nesse terrário de clima controlado no sótão,

recebendo grilos, mariposas e encantos de um mago.

A primeira operária encontra um inseto estranho e queimado que não

consegue pegar com as mandíbulas nem arquear o abdome para

envenenar. Os esforços que faz movem terra, claro, então as outras vêm.

Milhares de outras. Como não sabem o que é riso, o som que aquele

inseto faz enquanto elas se reúnem ao seu redor não quer dizer nada para

elas. Não entendem russo nem insultos, muito menos insultos em russo,

então o que ele diz sobre as mães delas (sem saber que todas têm uma

única mãe e que a desova promíscua deixa pouco tempo para as

atividades que ele sugere que ela gosta) não é absorvido. A peçonha tem

pouco efeito sobre aquele inseto, mas elas são capazes de dilacerá-lo. Os

pedaços de Dragomirov tentam escapar delas. As formigas nunca

passaram por isso antes, mas acabam levando tudo para as larvas do

estágio final, que conseguem digeri-lo.

Não tem muita carne.

Na verdade, a última coisa que ele diz é:

— Não tenho muito carne, imbecis!

Só a cabeça e uma parte da espinha.

E então isso também é dilacerado.

E a magia ali agoniza e morre.