Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Christopher Buehlman · Capítulo 5 de 134

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Bem-Vindo à Casa dos Espíritos

Capítulo 4

 

Anneke havia feito duas esculturas dele.

A primeira representava Andrew vestindo seu roupão japonês,

sentado com os cotovelos apoiados nas coxas, a cabeça levemente

inclinada para um lado, como um Pensador boêmio, ou assim ela o

fizera.

A escultura ficava na mesa ao lado da cadeira de fumar e a cadeira

ficava de frente para o lago, inclinada sobre o cinzeiro de osso de

camelo que o pai de Anneke, um piloto de submarino, havia trazido do

Egito. Às vezes, ela enfiava um incenso no espaço entre o braço e a coxa

da estátua, queimando-o de modo que a fumaça envolvesse a cabeça da

escultura. Porém, na maior parte do tempo, ela só fumava seus Camel

Lights e observava o pôr do sol, as tempestades ou as ondas batendo nas

estranhas figuras de gelo que emolduravam a praia no inverno. Andrew

gostava de saber que uma versão em miniatura de si fazia companhia a

ela.

A segunda estátua era maior, em tamanho real, nua, e tão real que ela

conseguiu vender por quatro mil dólares em uma exposição de arte em

Ithaca. Ficou com ela por menos de um mês, pois, como precisava de

dinheiro e não a venderia a Andrew porque a oferta que ele fez mais

parecia uma esmola, quis ver o quanto conseguiria do bolso de um

desconhecido.

E foi assim que um sujeito de Toronto levou para casa a melhor

estátua de Anneke — a representação de um dos magos mais poderosos

dos Estados Unidos, nu em argila branca — e colocou em seu porão,

perto de uma mesa de sinuca de feltro vermelho.

O nome da obra era Despreocupação, e o canadense nunca mais

perdeu uma partida de sinuca sob o olhar entediado e petrificado de Andrew, mesmo quando enfrentava jogadores muito melhores, e

também nunca entendeu o porquê.