Bem-Vindo à Casa dos Espíritos
Capítulo 110
No quintal, a cabana caiu.
As patas da galinha arranham o minotauro, sem qualquer efeito.
O homem-touro pega e quebra uma no joelho.
— Buttercup — diz Andrew.
O minotauro para com a pata quebrada nas mãos, como uma mulher
interrompida enquanto tempera um frango que será assado.
— Tire Anneke com segurança. Traga ela para cá.
Agora, Buttercup afasta parte do telhado.
Espia.
Outro flash.
Que vem da mata.
BAM!
O ombro direito do minotauro explode, o braço volta a ser árvore,
rochas, partes de carro, e rolam pela ladeira.
Buttercup cai sentado no traseiro enorme, e seu peso faz a casa
estremecer.
Ele se esforça para se levantar, querendo usar o braço que falta, cai de
modo pesado, levanta-se e fica de joelhos.
A cabana também tenta se levantar.
Ela consegue.
Segura a pata quebrada, pula em uma pata só até a linha da árvore.
O minotauro está quase de pé.
BAM !
O disparo se aloja na garganta, fazendo Buttercup erguer a cabeça
com o impacto.
A monstruosidade toda volta a ser carros e pedregulhos. Alguns
fragmentos voam.
— Ah, merda — brada Andrew.
Michael e ele se abaixam, cobrindo a cabeça com as mãos.
O velho Mustang, pegando fogo, capota, tira a parte de cima da casa,
expondo estrelas, céu e possibilitando a entrada do ar frio.
Escombros caem sobre eles.
E neve.
Andrew olha para o quintal.
O tanque T-34 geme de trás de uma série de bordos, soltando fumaça
de sua boca de fogo.
— Você está bem? — pergunta Andrew.
— Acho que sim. E você?
— Sim.
Andrew encontra os binóculos de visão noturna, dá uma olhada no
tanque.
Duas pessoas estão na torre, protegidas atrás da portinhola redonda.
Um homem bem morto, estampando um sorriso esquelético.
E uma mulher com quepe de general soviético e um casaco de lã.
Sua namorada de muito, muito tempo atrás: Marina Yaganishna.
Daquela temporada horrorosa na Rússia.
Da cabana da bruxa.
A filha menor e mais traumatizada.
Aquela que o libertou.
Desta vez, ela não está aqui para ajudar.
A torre gira.