Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 95
JUSTINE LEVARA 2 MINUTOS NA base de dados do departamento de trânsito para descobrir qual dos profissionais que cuidavam da carreira de Danny tinha um Porsche 911. Depois disso, ela e Del Rio procuraram o carro nos lugares óbvios, mas não o encontraram.
Agora, Del Rio estava em Bel Air, estacionando no acesso circular de uma mansão de 6 milhões de dólares e quase mil metros quadrados em estilo mediterrâneo.
Tirou a pistola do porta-luvas, guardou-a no coldre do ombro e disse:
– Justine, não adianta ficar nervosa. Como meu antigo companheiro de cela costumava dizer: “Se você não conseguir encontrar o que está procurando na rua, entre na casa de alguém e pegue.”
– Que beleza. Vamos acatar os conselhos de um presidiário.
– E do meu companheiro de cela também.
Justine riu.
– Sem querer ofender, Rick, não penso em você como um presidiário.
– Fico honrado. Está pronta para arriscar sua vida e sua reputação?
– Talvez. Quer dizer, vamos lá.
Uma jovem empregada latina veio abrir a porta e deu um sorriso agradável.
– Sinto muito. Não tem ninguém em casa.
Del Rio ergueu o distintivo e abriu o casaco para mostrar à mulher sua 9 milímetros.
– Não tem problema, senhorita. Temos autorização para efetuar uma rápida busca e apreensão.
– Estamos pintando o salão – protestou a moça.
– Não se preocupe – falou Justine. – Vamos tomar cuidado para não pisar em nada. Onde fica a suíte principal?
Em algum outro dia, Justine talvez tivesse admirado a cozinha profissional de primeira linha, a loggia e a piscina, a sala de projeção e a suíte principal, que parecia o cenário de um filme de James Bond e tinha mais aparelhos de alta tecnologia e alta definição do que a Sala de Crise da Casa Branca.
Esperava encontrar um closet organizado na suíte, mas o que viu foi uma bagunça. Roupas caras penduradas de qualquer jeito e presas em ganchos. Sob as prateleiras, sapatos de todos os tipos formavam pilhas desordenadas.
Enquanto Rick ficava parado na soleira do quarto, Justine examinou os sapatos com as mãos enluvadas. Estava procurando uma sola de borracha ou material similar que pudesse corresponder aos 7 centímetros de pegada que Sci encontrara junto à marca de pneu.
Parou por um instante, tentando organizar os sapatos na mente antes de continuar, e então viu o que estava procurando: um par de tênis Kayano Gel da Asics, a última novidade em calçados casuais masculinos.
Pescou o sapato esquerdo na pilha e o virou. Chamou Rick e, quando ele chegou ao closet, mostrou-lhe a sola.
– O bom da transferência é que é um processo de mão dupla. O sapato deixa uma pegada no chão. E o chão… está vendo?
– Estou vendo uma migalha escura de alguma coisa.
– E eu, um dia feliz para o Dr. Sci.
Justine lacrou o tênis dentro de um saco de indícios e se sobressaltou ao ver que a empregada estava agora em pé atrás de Rick na entrada do closet.
– Vocês vão me causar problemas – disse ela.
– Não, não – respondeu Rick usando uma voz muito paciente, até mesmo paternal. – Não diga a ninguém que viemos aqui. Esta investigação é ultrassecreta, protegida pela Lei de Silêncio da Califórnia. Entendeu?
Estavam saindo da North Bentley Avenue quando o celular de Justine tocou. Era Nora.
– Acharam alguma coisa? – indagou Justine. Pôs Nora no viva-voz para Rick poder escutar.
– O Porsche aparece em seis radares das duas às duas e meia da manhã de hoje, em um trajeto entre Bel Air e Topanga Canyon. Ele estava dirigindo depressa, inclinado sobre o volante, então conseguimos closes do rosto.
– Que bom, Nora. E eu acho que temos uma cereja para colocar no seu bolo.