Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 2 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

Capítulo 2

 

 

A. J. ROMANO DIRIGIA A van branca pela interestadual I-15 na direção oeste, pouco menos de 250 quilômetros a leste de Las Vegas. O carro era um modelo novo da Ford. Nas laterais e na traseira estavam colados adesivos com as palavras “Direto do produtor” acima de um cesto com legumes e verduras vermelhos, verdes e amarelos.

Benny Falacci, conhecido como Banger, estava afundado no banco do carona, com as botas de pele de enguia, estilo caubói, sobre o painel. No fundo, Rudy Gee aproveitava sua vez no compartimento refrigerado para cochilar dentro de um saco de dormir entre as caixas de papelão.

A. J. gostava de dirigir à noite qualquer que fosse o tempo, mas principalmente naquelas noites muito claras das áreas de grande altitude ali no oeste. As estrelas brilhavam no céu. Nenhum tráfego; só uma faixa de estrada que cortava quilômetros e quilômetros de pastos e desertos, sobre um fundo de montanhas que se erguiam a distância como papel de embrulho amassado.

– Aí eu fiz uma carne ensopada, sabe? – disse ele para Banger. – Resolvi cozinhar para ela, para variar um pouco.

Banger arrancou o filtro de um Marlboro, acendeu o cigarro com seu isqueiro da sorte e abriu a janela.

– Putz – reclamou Romano, abrindo também a sua janela. – Já ouviu falar em fumante passivo? Você está fumando por dois aqui dentro.

– Já se passaram 510 quilômetros – respondeu Banger. – Foi esse o combinado: um cigarro a cada 500 quilômetros.

– Então… – prosseguiu A. J., agora falando alto por causa do barulho do vento. – Fiz um macarrão e um bolinho de chocolate. Ficou bom.

– Fascinante, A. J. Todos os grandes grupos alimentares incluídos.

– Comi bem, mas não enchi a pança. Aí a gente foi para a cama e mais ou menos às duas e meia eu acordei. Estava praticamente congelado.

Banger tirou um pedaço de fumo da língua. A van não tinha CD player e naquele fim de mundo o rádio não pegava. Dali a poucas horas estaria sentado diante de uma mesa de vinte e um. E à noite dormiria em uma cama espaçosa. Poderia ligar para Suzette. Estava pensando nisso e em como ela iria encher seu ouvido antes de ele conseguir tirar a calcinha dela. Ou então poderia ir ao Sands e arrumar alguma nova. Sentia-se com sorte.

– Aí eu aumentei a potência do cobertor elétrico. Mesmo assim, meus mamilos continuaram duros feito pedra.

– Nossa – comentou Banger. – Dá para mudar de assunto?

– Coloquei o cobertor no 9. Nove é um maçarico – disse A. J. – Mesmo assim continuei gelado. Quando acordei de novo, estava suando como se tivesse corrido 3 quilômetros…

– Que diabo é isso? – indagou Banger.

– É justamente o que estou perguntando. Será que meu coração está ruim?

– Que diabo é aquilo ali – corrigiu-se Banger, apontando pelo para-brisa para as luzes vermelhas à frente.

– Aquele carro, você quer dizer?

– Está diminuindo.

– Que imbecil. Ele devia ter enchido o tanque em Kanarraville.

– Ultrapasse – disse Banger.

Mas A. J. já estava diminuindo a velocidade e dizendo:

– Ficar sem gasolina nesta estrada? O cara vai ser comido por um urso.

Mas o carro não estava ficando sem gasolina. Seguiu bem devagar até que um Chevrolet na pista da esquerda com o farol apagado emparelhasse com a van.

– Que porra é essa agora? – perguntou A. J., olhando para o Chevrolet a 15 centímetros da sua porta. – O que esse outro babaca está fazendo?

– Freia. Freia! – gritou Banger. – Desvia!

A. J. Romano largou a mão na buzina, mas não adiantou. Encurralada, a van foi obrigada a pegar a saída para Pintura. Ou batia no carro ao seu lado, ou descia a toda pela rampa.

A. J. deu uma guinada com o volante para a direita, fazendo a van descer pela saída, enquanto Banger procurava sua arma debaixo do banco. Quando deu por si, ouviu um barulho de metal arranhando sua porta e a van saiu da rodovia, forçada a entrar em uma espécie de estradinha secundária.

– Seu filho da... – gritava Banger, enquanto A. J. pisava firme no freio.

A van derrapou no chão de terra batida e arrancou uma cerca de arame até parar no meio do nada. A poeira impedia a visão e inundava a cabine.

Ouviram portas de carros baterem à frente e atrás da van. Banger segurou sua arma com uma das mãos e soltou o cinto de segurança com a outra, pronto para saltar com um pulo, mas então o rosto de um homem surgiu na janela, um cara que ele nunca tinha visto, e começou a gritar:

– Mãos no teto!

– Banger, faça o que eles estão mandando! – gritou A. J. de mãos levantadas.

Mas Banger puxou a arma de baixo do vão da janela. Um clarão intenso brilhou, seguido por uma explosão. Banger afundou no banco, expirou e não tornou a se mexer.

Dentro de sua cabeça, A. J. gritava: Ai, meu Deus! Eles mataram o Banger! Uma pistola calibre 45 estava apontada para sua orelha esquerda.

– Escutem – disse A. J. – Eu não conheço vocês. Não vi nada. Podem levar tudo o que quiserem. Eu tenho seiscentas pratas…

Ele nem sequer ouviu a arma disparar. Seu corpo estremeceu, mas foi só.