Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 86 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 83

 

 

FIZ O CHECK-OUT DO SUN e fui de carro para o trabalho, prestando atenção para me manter quinze quilômetros abaixo do limite de velocidade. Tandy me seguiu até a Figueroa Street e me cumprimentou com dois toques de buzina quando fiz a curva para entrar na garagem subterrânea da Private.

Mitchell Tandy era uma hiena.

Entrei na minha sala às sete e meia e atendi a segunda ligação de Justine naquela manhã. Ela me contou que Danny Whitman estava no hospital do TTCF.

Encolhi-me só de pensar naquele lugar. Era como se a mão gelada de alguém me agarrasse pela nuca: uma sensação ruim da qual era impossível me desvencilhar.

– O que você acha, Jack? – indagou Justine. – Devemos largar Danny à própria sorte? Ou é melhor eu trabalhar com ele e seus comparsas até saber se ele matou ou não Piper Winnick?

– Parece que você acredita que ele é inocente.

– É a minha intuição. Ele acha que tem alguém manipulando a mente dele. Abusando dele psicologicamente. Quem faria uma coisa dessas? O que alguém poderia ganhar com isso?

Justine era a heroína das causas perdidas. Quando errava, costumava dizer: “A princesa das Boas Ações ataca novamente.” Mas seus instintos eram bons mesmo. O pior que se poderia dizer sobre Justine era que ela se dedicava demais a seus casos e se envolvia emocionalmente além do recomendado.

Mas, se ela conseguisse provar a inocência de Whitman, seria ponto para a Private. Um ponto do qual precisávamos.

– Você decide – falei.

Comecei a trabalhar no relatório de Cruz sobre os interrogatórios na boate cubana em Hollywood e quando Val Kenney chegou, às oito, pedi-lhe que dividisse o relatório em partes e marcasse itens a serem acompanhados.

Enquanto Cody e Val trabalhavam do lado de fora da minha sala, dediquei um pouco de tempo ao caso Califórnia versus Jack Morgan e descobri uma ou duas coisinhas sobre Colleen Molloy que ela não havia me contado. Estava examinando isso mais a fundo quando Val entrou.

– Encontrei uma informação interessante sobre a mulher com quem Cruz conversou ontem à noite – disse ela.

– Carmelita Gomez?

– Karen Ricci. A da cadeira de rodas.

– Pode falar.

– Antes de ser Karen Ricci, ela se chamava Karen Keyes. Cumpriu pena de cinco anos por extorsão. Houve uma rebelião no presídio feminino e ela levou um golpe de porrete. É por isso que hoje anda de cadeira de rodas. Teve a pena reduzida por bom comportamento.

Val estava tirando bom proveito do que aprendera na polícia de Miami. Eu estava prestes a lhe dizer que continuasse investigando Ricci, mas ela ainda não havia terminado.

– Descobri mais uma coisa, Jack. A história que Carmelita Gomez contou a Cruz não confere. Ela disse que um motorista chamado Billy Moufan lhe deu a informação.

– Era o motorista dela, certo?

– Foi o que ela disse. Segundo ela, depois que o seu cliente foi morto no Seaview, o motorista, Billy Moufan, falou para ela que podia ter sido um chofer de limusine, e que esse mesmo cara poderia ter matado o cliente do Moon. Só que ninguém chamado Billy ou William Moufan jamais tirou licença de motorista particular na Califórnia. Não consigo encontrar esse nome em nenhuma base de dados, qualquer que seja a ortografia.

– Está dizendo que ela mentiu para Cruz?

– Na melhor das hipóteses, ela estava escondendo o nome do motorista que deu a informação – disse Val.

Pedi a ela que avisasse Cruz. Cody então me chamou pelo interfone e disse que Jinx Poole estava na linha 1.

Atendi.

– Jack, pode jantar comigo hoje à noite? – perguntou Jinx. – É importante.