Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 24
O ESCRITÓRIO DA PHI BETA GIRLS ficava em uma pequena casa de três andares na Hilgard Avenue, em Westwood, numa área conhecida também como Quarteirão das Irmandades da UCLA. Cruz encostou o Mercedes junto ao meio-fio, ao lado da coluna de um portão de madeira em que estavam inscritas as letras gregas phi, beta e gama.
Cruz e Del Rio desceram do carro, passaram pelo portão e subiram uma passagem até a porta da frente da velha casa de estuque cor de terra. Del Rio tocou o interfone.
Um rapaz latino de 20 e poucos anos veio abrir a porta: cabelos lambidos para trás, sobrancelhas feitas, chinelos de dedo, uma calça de ioga branca imaculada e uma túnica também branca.
Cruz mostrou o distintivo. Um escudo dourado dentro de uma carteira de couro. Parecia um distintivo oficial verdadeiro.
– Pois não? – disse o rapaz.
– Precisamos falar com a dona da casa. Susan Burnett. Estamos investigando um homicídio.
– Esperem aqui, por favor – disse o rapaz de branco.
– Talvez seja melhor não ficarmos parados em frente à sua porta – respondeu Cruz.
– Eu já volto.
Cruz virou as costas para a porta e ergueu o queixo, mãos unidas nas costas, sorvendo o aroma de jacarandás e bananeiras, enquanto Del Rio se apoiava em um pé, depois no outro, até o sujeito voltar.
– A Srta. Burnett vai recebê-los.
A cafetina, alcoviteira ou como quer que quisesse ser chamada tinha a pele cor de cappuccino e o corpo de quem praticava pilates. Estava correndo em uma esteira na sala de ginástica nos fundos da casa, cujas janelas de gelosia davam para a piscina.
Del Rio a achou uma gata. Com certeza ela própria devia ter sido garota de programa até poucos anos antes. Tocou o ombro da mulher e ela se virou, desligou a esteira e desceu do aparelho. Enrolou uma toalha no pescoço.
Del Rio tornou a erguer o distintivo, sem dizer que trabalhava para o Departamento de Polícia de Los Angeles, mas dando a entender. Não havia crime nenhum em “dar a entender”, embora se fazer passar por agente de polícia fosse uma contravenção.
– Meu nome é Rick Del Rio. Este é meu colega Emilio Cruz. Estamos investigando um homicídio. Não estamos aqui por causa das suas atividades profissionais. Trata-se de um crime que ocorreu ontem à noite no Beverly Hills Sun.
– É possível que haja uma testemunha, uma moça que trabalha para a senhora – disse Cruz. – Posso pôr meu CD no seu aparelho?
– Nossa. O senhor é direto, Sr. Cruz – respondeu Susan Burnett com um sorriso seco. – Posso ver o distintivo outra vez?
Cruz tirou o seu do bolso da jaqueta, antecipando-se à indignação dela:
– Nós somos investigadores da Private. Não vamos falar com a polícia. Se não tivermos motivo.
– Quem deveria chamar a polícia sou eu, só para ver o que vocês fariam.
– Se quiser transformar esta pequena investigação em um caso oficial, fique à vontade – disse Del Rio. – Os tabloides vão adorar.
Burnett pensou por um instante.
– Eu não gostaria de apostar contra você, Sr. Riacho – falou. – Venham comigo. – Ela subiu uma escada em caracol à frente de Cruz e Del Rio.