Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 128 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 125

 

MEU VELHO AMIGO SÓ DAS horas de alegria, o chefe de polícia Mickey Fescoe, falou:

– Jack, ligue a TV. Está passando uma coisa que você vai querer ver.

– Já estou vendo – respondi. – Parece que a DEA tirou muitas drogas ilícitas de circulação.

– Isso mesmo, parceiro. Mas eu não falei nada sobre a sua participação. Era o que você queria, certo?

– Certo. Não quero crédito nenhum. Não diga nada a ninguém, nunca.

– Combinado, Jack. A DEA está nas nuvens. Só faltava uma fita vermelha em volta daquela van. Mas nem precisava. Esse negócio tem o dedo da família Noccia por toda parte. Será que vamos conseguir pegar Carmine? Não sei dizer, mas essa apreensão não vai ajudá-lo nem um pouco. Talvez ele tenha um enfarte. Talvez alguém o apague. A esperança é a última que morre.

Trocamos mais algumas palavras sobre como aquilo era bom para o país e então Mickey disse:

– Aliás, fico feliz por você estar livre da acusação pelo assassinado de Colleen Molloy. Fiquei de olho em Tandy e Ziegler o tempo todo. Também não quero nenhum crédito, mas espero que você ache que a polícia de Los Angeles o tratou de forma justa.

– Não tenho reclamações – falei.

Um bipe soou no meu ouvido e verifiquei o identificador de chamadas.

Bem quando eu pensava que não restava mais nenhum pingo de adrenalina no meu corpo, senti uma onda de pânico ao ver que a ligação era de Carmine Noccia.

As drogas de Noccia já eram. Seus clientes iriam enlouquecer e a DEA havia prendido seus homens.

Disse a Fescoe que estava recebendo outra ligação e o parabenizei por sua participação na apreensão da DEA.

Então atendi a outra chamada.

No mesmo instante em que disse oi para Carmine Noccia, rezei aos céus para que ele não soubesse que eu estava por trás da apreensão. Se soubesse, estava ligando para me aconselhar a preparar minha mala para a última viagem que faria na vida.

– Você ficou sabendo sobre o nosso desafortunado encontro com a DEA? – perguntou ele. Seu tom de voz não revelava nada.

– Acabei de ver na CNN. Que dureza, Carmine.

– Você não teve nada a ver com isso, não é, Jack?

– Claro que não.

– Eu tinha que perguntar.

Houve uma pausa demorada, durante a qual fiquei ouvindo meu sangue bombear freneticamente. Então Noccia tornou a falar:

– A federal disse que estava vigiando nosso ponto de transferência. Porra, vai ver alguém deu com a língua nos dentes e os Marzullos escutaram. Aí ligaram dando uma dica. – Ele dava sua versão para o que ocorrera. – Seja como for, não posso culpar ninguém a não ser a mim mesmo. Eu deveria ter organizado a transferência em outro local, mas aquele lugar lá é nosso e nunca ficou sujo. Como era bem ao lado da autoestrada, podíamos entrar e sair depressa. E esconder a van até conseguir desmontá-la. Ou pelo menos eu pensava assim. Enfim, esse problema é meu, Jack. Estou ligando para dizer que você pode ficar com a grana.

Será que era seguro respirar?

– Você quer que eu fique com os 6 milhões de dólares? – indaguei.

– Você tirou a van do armazém sem incidentes, não foi? Entregou-a nas nossas mãos. Deu os nomes dos caras que a tinham roubado. Você executou a missão, portanto vou pagar. É assim que as coisas funcionam entre nós.

Porra nenhuma.

Aquele era um caso clássico de uma notícia boa e outra má.

Noccia confiava em mim. Estava dizendo que éramos como irmãos. E que havia honra entre ladrões – e entre fuzileiros navais. Os 6 milhões de dólares na conta bancária da Private significavam que Carmine e eu éramos amigos.

Eu nunca mais queria ouvir falar em Carmine Noccia na vida, mas achava que não teria essa sorte.

Ele desligou como sempre fazia – de repente.

Nem se despediu.