Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 61 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 58

 

FUI CONDUZIDO PELO PRÉDIO ATÉ a ala masculina, onde passei por outra revista íntima e recebi uma trouxa com um uniforme: calça e camiseta laranja, sapatos de borracha. Então, a caminho da minha cela, tive direito a um tour pelas instalações.

O presídio era formado por centenas de módulos de dois andares, cada um com dezenas de celas. Cada módulo fora projetado para comportar trinta homens, mas, ao cruzar os corredores, pude ver que todos estavam com praticamente o dobro da ocupação, mais de cinquenta detentos chorando e tossindo desesperados ali dentro.

Minha cela era do tamanho de um closet, 2×2,5m, com duas estreitas pranchas de metal e uma privada fedida e entupida.

Eu era o quarto detento ali.

Sentei-me em uma das pranchas.

As luzes do teto ofuscavam minha visão. Não havia janela, nenhum jeito de saber em que momento do dia estávamos, mas me parecia que pelo menos dez horas haviam transcorrido desde que eu recebera o telefonema de Fescoe na Private.

Um homem de cheiro rançoso, com idade entre 20 e 40 anos, sentou-se ao meu lado.

Chamava-se Irwin e queria conversar. Contou-me que estava detido havia cinco dias. Fora pego dentro do carro com cocaína e uma adolescente a dois quarteirões de uma escola. Mesmo assim, pensei, Irwin tinha menos motivos para se preocupar do que eu.

Havia um ferimento infeccionado no seu braço e outro no pescoço. Falou sobre o sanduíche de carne misteriosa servido no almoço e sobre o burrito do jantar, do tipo que se compra em postos de gasolina.

Eu havia perdido as duas refeições.

Irwin perguntou se eu tinha um bom advogado. Respondi que sim, em seguida me recostei na parede. Não queria chamar nenhum tipo de atenção. Estava me afogando em uma maré revolta de desespero que não fazia muito sentido para mim.

Havia passado por acampamentos dos fuzileiros navais e depois por uma guerra. Tinha matado gente. Vi amigos morrerem. Meus pais haviam morrido. Eu fora ferido em combate. Na verdade, morrera e fora trazido de volta à vida. Havia resistido a tudo isso.

Mas o único sentimento que eu não me lembrava de ter experimentado em momento algum era essa total falta de esperança.

Nada do que eu dizia importava.

Eu não tinha acesso a ninguém. Não havia nada que pudesse fazer.

Estava à mercê de pessoas que queriam me ver condenado. O próprio Fescoe tinha me abandonado: é melhor você confessar.

Irwin foi para a outra prancha de metal e um segundo desesperado que também precisava de um banho sentou-se ao meu lado. Parecia um cara decente. Tinha mulher e dois filhos e havia se envolvido em uma briga de bar. Disse que não havia conseguido pagar a fiança. Estava com uma tosse feia. Pelo barulho, parecia tuberculose ou talvez câncer de pulmão.

Fingi que estava dormindo. Fiz uma lista mental das pessoas que me odiavam. Uma longa lista de caras que eu havia prendido, frustrado, demitido ou denunciado.

O rosto de Tommy não parava de aparecer na minha mente e então fui despertado de um sonho turvo. As luzes estavam todas acesas. Um de meus companheiros de cela grunhia sentado na privada. Mas o que havia me acordado era a voz que ribombava no sistema de alto-falantes informando quais detentos seriam encaminhados de ônibus para quais tribunais.

– É isso que eles fazem às quatro da manhã – disse Irwin. – Gostou? Os tribunais só abrem às nove.

Meu nome não foi citado.

Eles não tinham chamado o meu nome.

Fechei os olhos e algum tempo depois um guarda acionou um botão e a porta da minha cela se abriu.

– Jack Morgan? – perguntou o guarda. – O senhor tem que se vestir para o tribunal.