Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 13 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 10

 

RICK DEL RIO MORAVA EM uma casa de um quarto só à beira do canal Sherman, um dos quatro canais paralelos limitados por dois outros em cada extremidade, uma fantasiosa reinterpretação da cidade italiana de Veneza.

Apesar de pequenas, as casas eram caras, construídas bem juntas de frente para o canal, com pequenos becos atrás. Rick entrou com o carro em um desses becos, margeado por latas de lixo, postes de telefonia, portas de garagem e uma ou outra fileira de arbustos rente a uma cerca nos fundos.

A porta da garagem de Del Rio era pintada de verde. Ele apontou o controle remoto, a porta se abriu e ele entrou com o carro.

– Não tenho grande coisa na geladeira – disse ele.

– Não faz mal.

– Meio frango. Umas cervejas.

– Obrigado mesmo assim.

Subimos alguns degraus e entramos por uma porta na garagem que conduzia à cozinha.

– Ninguém sabe que você está aqui – disse Del Rio. – Vá para a sala. Tente relaxar.

Não era a primeira vez que eu ia àquela casa. Com três cômodos, parecia uma cabana na floresta e estava em estado impecável. Paredes brancas, vigas de madeira escura, cadeiras e sofás com estofamento macio de pluma. A peça central da mobília era uma mesa baixa feita com o casco de madeira de um barco, revestido de poliuretano para proteger a superfície das cervejas e dos arranhões.

Deixei-me cair em uma cadeira grande o suficiente para comportar duas pessoas, pus os pés em cima da mesa e rezei para o mundo parar de girar.

Ouvi Del Rio fazendo barulho na cozinha e fechei os olhos por um instante. Mas não dormi.

Fiquei pensando em uma noite sete anos antes. Estava pilotando um helicóptero de transporte CH-46 em direção a Kandahar, com 46 fuzileiros navais no compartimento de carga e Rick Del Rio como copiloto, sentado no banco ao meu lado.

Fora uma noite ruim.

Uma granada disparada por um foguete da traseira de um 4×4 atingira o nosso helicóptero, arrancando a hélice traseira e fazendo o Phrog despencar em espiral rumo ao inferno. Consegui fazer a aeronave aterrissar em pé, mas a bomba já havia feito o seu estrago.

Vários homens morreram de forma horrível. Eu conhecia todos eles.

Estava removendo um dos sobreviventes quase morto do compartimento de carga quando um estilhaço de metal voou pelos ares e me atingiu nas costas.

O impacto fez meu coração parar – e eu morri.

Del Rio me encontrou não muito longe dos destroços em chamas e bateu no meu peito para me fazer voltar à vida.

Depois disso, a guerra terminou para mim. Fui trabalhar em uma pequena empresa de investigação particular em Century City. Então o filho da mãe corrupto e manipulador do meu pai me chamou para conversar.

Em Corcoran, ele sorriu para mim através de uma divisória de plexiglas, ainda me tratando como se eu fosse um idiota, só que dessa vez me surpreendeu. Entregou-me as chaves da Private e me disse que havia 15 milhões de dólares à minha espera em uma conta em um paraíso fiscal.

– Faça da Private uma empresa melhor do que quando era minha – falou.

Uma semana mais tarde, depois de ser apunhalado no chuveiro, meu pai morreu.

Rick não tinha pais ricos. Desconhecia o medo e sabia manejar uma arma. Depois do serviço militar, tinha voltado para Los Angeles. Cometera um assalto à mão armada, fora preso, condenado e jogado na prisão. Depois de ter a pena atenuada por bom comportamento e ser solto, fora trabalhar na Private, e eu havia lhe comprado aquela casa.

Eu conhecia Rick como a palma da minha mão. Devia minha vida a ele, e ele dizia que devia a sua a mim.

Meu amigo entrou na sala chamando meu nome. Ergui os olhos e vi um rosto que só uma mãe-buldogue seria capaz de amar: um homem de 1,73 metro de altura sem sapatos, ex-presidiário, ex-fuzileiro naval com treinamento de ponta… e segurando uma bandeja – uma bandeja. Como se fosse um enfermeiro ou quem sabe um garçom.

Depois de chutar meus pés de cima da mesa, ele pousou a bandeja. Tinha preparado sanduíches com a metade de frango que estava na geladeira, passado tapenade e mostarda com mel em duas fatias compridas de baguete e acrescentado algumas folhas de alface. Trouxera também duas garrafas de cerveja e um abridor.

– Coma, Jack – falou meu companheiro de voo. – Pode ficar com o quarto lá em cima. Nem adianta discutir. Lá o quarto fica escuro e, se você tentar, pode dormir nove horas.

– Não posso dormir no seu quarto.

– Olhe aqui – disse ele. Levantou a tampa de um pufe. O móvel virava uma cama. – Fique com o quarto. Seu dia amanhã vai ser cheio.

– Colleen.

– Sim, Colleen com certeza. E você recebeu meu torpedo? Tem uma reunião amanhã cedo. Carmine Noccia vai procurar você.