Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 52 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 49

 

ERA A SEGUNDA PORRADA QUE eu levava nas últimas 24 horas e as duas vieram de pessoas que amavam Colleen. Primeiro Donahue me dera um soco. E aparentemente também dissera a Siobhan onde me encontrar. E agora era a própria Siobhan quem tinha me dado uma pancada.

O sofá era uma maravilha, mais de 2 metros de almofadas recheadas com plumas. Sentei-me e apoiei os pés na mesa de centro, ao lado do porrete revestido de couro que Siobhan tinha usado para me derrubar.

Siobhan era durona, mas me trouxe um travesseiro, depois pegou uma garrafa d’água no frigobar e me entregou. Sentou-se na cadeira à minha frente e ficou me encarando.

– Pode falar – disse ela.

E eu falei. Disse e repeti para ela que não havia matado Colleen. Expliquei onde estava quando Colleen fora baleada e disse-lhe quanto gostava da irmã dela.

– Você transou com ela – acusou Siobhan. – Ela me ligou para dizer que você a levou para a cama antes de sair de Los Angeles. Você nega?

– Não, não nego.

– Estava brincando com os sentimentos dela.

– Eu a amava. Só não o suficiente para lhe dar o que ela queria – falei.

Pensei no último aniversário de Colleen. Tínhamos ido jantar no Tavern e nos sentado na mesma mesa em que, na noite anterior, eu me sentara para conversar com Donahue. No aniversário de Colleen, ele e um grupo de garçons levaram um bolo e cantaram parabéns para ela.

Colleen havia começado aquela noite muito feliz.

Eu sabia que, depois de um ano de namoro, o que ela queria de aniversário era um anel.

Mas eu a decepcionei. O melhor que eu pudera fazer a deixara muito magoada.

– Você a amava? Então eu não entendo esse “não o suficiente” – disse Siobhan. Seus lábios tremiam. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. – Por que ir para a cama com ela se para você não significava nada?

– Por que você me bateu?

– Tive que bater.

Fiz uma pausa para registrar o que ela dizia.

– Eu estava com saudades dela, Siobhan.

Quis dizer mais, porém nada do que eu falasse faria sentido, nem mesmo para mim. Ir para a cama com Colleen tinha sido um erro. Se eu não tivesse voltado para o hotel com ela, talvez Colleen ainda estivesse viva.

Apesar da dor que sentia, Siobhan se esforçou para continuar me interrogando.

– Então, se não foi você quem matou Colleen, quem foi? Não é supostamente essa a sua especialidade, investigar assassinatos?

Siobhan agora soluçava.

Levantei-me e estendi os braços para ela.

Ela balançou a cabeça.

– Está tudo bem – falei. – Está tudo bem.

Ela se aproximou e eu a abracei enquanto ela chorava.

– Encontre esse filho da mãe. Eu devo isso a Colleen.

– Vou fazer o que estiver ao meu alcance.

– Estou com saudades dela – disse Siobhan com a voz embargada. – Eu a amava tanto. Nós éramos melhores amigas. Nunca brigávamos. Não tínhamos segredos. Não sei como vou continuar sem ela.

– Eu sinto muito, Siobhan. Perder Colleen… é uma coisa terrível.

Minha voz falhou e então comecei a chorar junto com ela. Fazia anos que não me permitia chorar. A tristeza pela morte de Colleen me dominou. Abraçar sua irmã me deu a sensação de estar me despedindo dela outra vez.

Talvez Siobhan tenha sentido que Colleen estava me dando um último adeus.

Ela se afastou de mim, mas segurou meus braços com força enquanto erguia os olhos para me encarar.

– Você a amava de verdade, não é, Jack? Então por que não fez a coisa certa?

– Pensei que tivesse feito. Eu a libertei.