Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 114
AMBULÂNCIAS ENCHERAM O SEMICÍRCULO DE casas e policiais uniformizados montaram barreiras e instruíram os moradores atordoados e assustados a não saírem para a rua.
A sargento Jane Campbell ouviu meu depoimento ao lado do meu carro.
Jane era uma boa policial, com doze anos de corporação. Eu tinha estudado com o irmão dela no ensino médio e comera alguns sanduíches na mesa da cozinha de sua casa havia muito tempo.
– Parece um prejuízo de uns 30 mil – disse ela depois de examinar meu Lamborghini. – E isso só pelo painel traseiro.
– Uma viatura da polícia me deu um esbarrão, mas estou bem. E tenho seguro.
Campbell sorriu.
– Fico feliz em saber. Me conte o que aconteceu, Jack.
– Versão completa ou resumida?
– Pode começar com o resumo, e a partir daí vamos voltando no tempo.
– Combinado. Nós recebemos informações sobre um caso que estamos investigando. Homens assassinados com um garrote em quartos de hotel. Minha teoria era que eles haviam sido mortos depois de transar com uma prostituta. Queríamos conversar com Carmelita Gomez.
– A polícia de Los Angeles está investigando esse caso.
– Amelia Poole nos contratou para conduzir uma investigação particular.
– A dona do Sun? No Santa Monica?
– Isso. Outro homem foi morto no hotel dela hoje, estrangulado com um fio. Ela está preocupada com a segurança dos hóspedes.
– E vocês acham que Carmelita Gomez era a assassina…
– Recebemos essa informação uma hora atrás. Fomos à casa dela conversar e ela fugiu, em alta velocidade. Nós chamamos a polícia na hora.
– Então o que estão fazendo aqui?
– Tivemos que segui-la, Jane. Pelo simples fato de fugir, ela estava nos dizendo que era culpada. Não podíamos correr o risco de deixá-la escapar. Eu a vi bater naquele muro. Ela nem tentou frear. Você vai ver que não há marcas de pneu no asfalto. Foi suicídio.
– Quer dizer que vocês receberam uma informação, perseguiram a suspeita e agora ela está morta. É isso que está me dizendo?
– Não vi nenhuma alternativa. Ainda não vejo.
– Emilio Cruz – disse ela, indicando o investigador da Private com o queixo. – Ele disse que Carmelita Gomez fez uma declaração antes de morrer.
– Sim, fez.
– E você pode confirmar a confissão dela em depoimento? – perguntou a sargento.
– Sim, posso.
– Vamos precisar de mais informações. Por favor, Jack, não saia da cidade.
– Está todo mundo me dizendo isso – falei. – Tenho que me preocupar com multas de trânsito? Algo desse tipo?
– Para quê? Para você ligar para Fescoe e dar um jeito? Mande consertar o farol traseiro e pronto – respondeu ela. – E diga a Tommy que mandei um oi.
Peguei meu Lamborghini e fui até onde estavam Del Rio e Cruz, sentados dentro do carro de serviço, com o motor ligado.
– O dia já acabou? – perguntou Del Rio.
– Já. Bom trabalho, vocês dois.
Desejei-lhes boa-noite e dirigi meu carro avariado até a Hollywood Freeway. Àquela hora da noite, o trajeto até Hancock Park levava apenas 20 minutos.
Desde que fora solto, eu havia passado cada minuto livre analisando, pesquisando, observando. E depois ainda ruminava mais um pouco a questão.
O recado de Jane para Tommy era o empurrãozinho de que eu precisava para fazer o que meu sexto sentido estava me mandando fazer desde o início.