Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 55 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 52

 

 

ENTREI NA MINHA SALA ÀS oito horas da manhã seguinte, ainda com a cabeça latejando como se houvesse uma britadeira em um ponto logo atrás do olho direito.

Cody estava ao telefone, mas, quando passei por sua mesa, ergueu a mão me pedindo que esperasse. Falou no headphone:

– Pois não, senhor. Vou ver se ele está.

Rabiscou atrás de um envelope: “Chf de Pol Fescoe”.

– Vou atender – falei.

Fui até minha mesa, tirei o fone do gancho e disse:

– Mick.

– Jack. Liguei para dar um alerta. Pode chamar seu advogado.

– O que houve?

– Tandy e Ziegler acharam sua pistola.

Aquelas palavras foram como um soco na barriga. Senti náuseas. Minha visão ficou desfocada. Repassei na mente os acontecimentos dos três últimos dias enquanto tentava entender o que Fescoe estava dizendo.

– Acharam onde? – consegui articular.

– No quintal em frente à sua casa. Enterrada debaixo de uma trepadeira.

– Plantada, você quer dizer. Eu declarei que a pistola havia desaparecido na noite em que Colleen foi morta.

– Eu sei, Jack. Mas o fato é que é a sua pistola, uma Kimber customizada registrada em seu nome. Tem as suas digitais.

– Só as minhas?

– Só.

Sentei-me. Cody trouxe meu Red Bull e o colocou sobre um porta-copo meticulosamente posicionado. Demorou um pouco mais do que o normal para se retirar. Encarei-o até ele sair e fechar a porta atrás de si.

– Jack?

– Estou aqui ainda, Mickey. Pode repetir? Onde exatamente a pistola foi encontrada?

– Enterrada em um canteiro, bem ao lado do portão. Uma Kimber calibre 45, o mesmo das balas que mataram Colleen Molloy.

– O assassino usou luvas – falei. – É por isso que a pistola só tem as minhas digitais. E ele a deixou em um lugar onde a polícia encontraria.

– Eu sei. O departamento de balística está fazendo uma comparação.

O chefe da polícia revelava as informações sem se comprometer. Lembrei-me de meu amigo seis meses atrás: um homem alto de mais de 1,90 metro, sorriso largo, em pé ao lado de mim e de Justine, os flashes disparando enquanto nos agradecia por termos capturado um assassino.

Ele com certeza confiava em mim na ocasião.

A voz de Fescoe se abrandou:

– As balas retiradas da vítima correspondem à sua pistola, Jack?

– Talvez. Provavelmente. Mesmo assim, não a matei. Se quisesse me livrar da minha própria pistola, eu seria mesmo tão burro assim? – indaguei ao meu amigo. – Mick. Estou lhe perguntando: eu iria mesmo enterrar a arma do crime em frente à porta da frente da minha casa?

– Ligue para o seu advogado, o Dr. Caine. Faça o que ele mandar.

– Obrigada por ter me ligado, Mick.

– De nada. Não saia da cidade.

– Estou hospedado em um hotel bacana. Tenho tudo de que preciso lá.

– Você está bem?

– O quê? É claro. Estou muito bem para um cara que está sendo encurralado para levar a culpa por um crime que não cometeu. Estou cem por cento.

– Quando isso tudo terminar convidarei você para jantar – disse Fescoe.

Falei para ele que o jantar sairia caro.

Cody tornou a entrar quando eu estava desligando. Disse “Desculpe”, parou atrás de mim, ligou meu computador e abriu minha agenda do dia.

Fiquei olhando para a tela sem ver nada.

Então a voz de Cody me tirou do devaneio:

– Jack, já está todo mundo a postos lá na sala de reuniões. Vamos começar em quinze minutos.