Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 39 de 135

Páginas do PDF

Private: O Suspeito Nº 1

Parte Dois – Bem me quer, mal me quer

PARTE DOIS

 

BEM ME QUER, MAL ME QUER

capítulo 36

 

NA MANHÃ SEGUINTE, NO ESCRITÓRIO, pensava em Colleen quando saí da minha sala e atravessei o corredor até a “sala de guerra”. Tentava adivinhar o que ela havia feito em suas últimas horas de vida, ver pelos seus olhos como tinha sido encurralada por um homem com intenções assassinas. Imaginei seu horror quando a pistola – decerto a minha pistola – foi apontada para o seu peito e como o assassino a provocou antes de apertar o gatilho.

Tive um pensamento horripilante.

E se ela tiver achado que o assassino era eu?

Abri a porta e vi que a sala de reunião estava lotada: Sci, Cruz, Mo e Del Rio encontravam-se sentados em volta da mesa preta, curvados sobre cafés, mandando torpedos e fazendo ligações. Todos ergueram os olhos quando entrei.

Colaboradores da agência ocupavam a fila de cadeiras giratórias alinhadas às paredes da sala, conversando sobre um caso importante que fora solucionado às quatro horas daquela manhã, quando uma equipe de investigadores da Private conseguira encontrar uma adolescente foragida e seu namorado drogado sacando dinheiro de um caixa eletrônico com o cartão da mãe dela.

A cadeira de Justine estava vazia. Ela nunca se atrasava para uma reunião. Não se atrasara uma vez sequer nos últimos cinco anos.

As conversas cessaram assim que puxei minha cadeira.

Cody trouxe meu Red Bull e uma lista de nomes.

– O que é isso?

– Candidatos para a minha vaga. Estou marcando entrevistas para você conhecer os três melhores. Quero dizer, os três melhores na minha modesta opinião.

Concordei.

– Vamos começar.

Apresentei Christian Scott e disse que ele fizera parte da companhia de dança Joffrey Ballet, sofrera uma lesão no joelho e fora trabalhar na Polícia Rodoviária da Califórnia como agente motociclista.

– Scotty foi um dos três agentes responsáveis pela prisão de um grande traficante com 200 quilos de maconha no porta-malas. Foi Scotty quem o mandou encostar porque teve um palpite…

– Um palpite e a traseira do carro estava tirando faíscas do asfalto – disse Scotty.

– Ele tem bons palpites e, pelo que me disseram, sabe dar uma pirueta bem razoável – continuei em meio às risadas. – Scotty acabou de concluir suas 600 horas como investigador na seguradora California Casualty, portanto sua licença deve estar no correio. Levante-se e mostre a cara para nós.

Todos aplaudiram. Scotty se levantou e se disse contente por estar ali. Então a investigadora Lauri Green levantou a mão e falou:

– Jack, vou ter que ir embora daqui a pouquinho. Só queria avisar que Mara Tracey foi liberada sob fiança.

Lauri estava se referindo à nossa estrela do cinema cleptomaníaca, que ganhava 10 milhões de dólares por filme mas mesmo assim roubava um suéter de moletom de 100 dólares, ganhando as manchetes dos tabloides e fazendo a festa dos paparazzi, além de conseguir uma alardeada audiência com um juiz na semana seguinte.

O marido de Mara havia nos contratado para ficar de olho nela. Conversamos sobre mandar seguir a Sra. Tracey e depois Cruz se levantou e informou sobre os avanços na investigação da morte do executivo no Beverly Hills Sun. Explicou também o histórico do caso: a sequência de quatro outros homens assassinados em hotéis diferentes e a pista do serviço de acompanhantes que não levara a lugar nenhum. Falamos da pesquisa que ele estava fazendo, as conversas com os funcionários do hotel e assim por diante. Agora que a polícia havia entrado no caso, disse Cruz, ele estava se mantendo mais discreto.

Não disse nada sobre a van cheia de remédios tarja preta roubada de Noccia – esse caso eu não queria divulgar para o grupo.

Quando Cruz se sentou, apertei algumas teclas no laptop e a foto de Colleen preencheu o monitor de tela plana suspenso no meio da parede.

Meus ouvidos zumbiram e minha pulsação disparou ao ver aquela foto. Apenas dois dias antes, Colleen estava viva e saudável.

Baixei os olhos para o teclado, tentando controlar as emoções. Quando falei, minha voz saiu embargada:

– A maioria de vocês conhecia Colleen. O mais provável é que ela tenha sido morta para me atormentar e para me incriminar.

– Cara… – disse Del Rio baixinho.

Engoli em seco, com força, e prossegui:

– Como vocês já devem ter ouvido falar, eu não sou apenas o principal suspeito. Sou o único suspeito. Enquanto isso, o assassino de Colleen está solto por aí… morrendo de rir.