Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 45
O MULTIMILIONÁRIO LABORATÓRIO DE CRIMINALÍSTICA DE Jack Morgan ocupava todo o subsolo da Private. Com quase 2 mil metros quadrados de equipamentos forenses de ponta, era considerado um dos melhores laboratórios independentes dos Estados Unidos. Atendia os clientes da agência, mas era também uma fonte de renda extra, pois podia ser alugado para departamentos de polícia de todo o país que precisassem de resultados rápidos e da tecnologia mais avançada.
O Dr. Seymour Kloppenberg, conhecido na Private como Dr. Sci, era o orgulhoso diretor desse laboratório, mas naquele momento ele e Mo-bot estavam na sala de Mo, que parecia uma caverna escura e que ela chamava de seu “buraquinho gostoso”. Mo havia acendido incenso, colocado lenços em cima das luminárias e os protetores de tela das dezenas de monitores alinhados acima de seu computador exibiam fotos de seu marido e seus filhos.
O noticiário local passava no monitor 6: um close bem próximo de um apresentador comentando sobre o sensacional “assassinato em Malibu”.
Reclinado em uma cadeira giratória, Sci se balançava, mas Mo estava sentada na borda de sua cadeira, visivelmente zangada e agitada. Guerreira experiente em um jogo de combate on-line e em tempo real, com múltiplos níveis, Mo às vezes sentia que a fronteira entre jogo e realidade se confundia.
Era essa a sensação que a estava dominando, a adrenalina de entrar em modo de combate.
Enquanto via o repórter falar para a câmera, Mo assumia a personalidade de seu avatar, pensava nas armas de que dispunha em seu arsenal e reunia seu exército virtual.
A repórter que os encarava pelo monitor era Randi Turner, que trabalhava no Canal 9 havia uns dois anos. Com os olhos fixos na câmera, Turner falou: “Jack Morgan, diretor-presidente da Private, é considerado o principal suspeito do assassinato de sua ex-namorada e ex-assistente Colleen Molloy.”
Imagens de Jack surgiram na tela, seguidas por imagens dele com o braço em volta de Colleen, correndo, debaixo da chuva, da marquise de um restaurante até o carro. Depois disso foi exibido um vídeo do casal durante uma festa em Hollywood, cochichando e rindo.
Turner fazia a narração em off:
“Jack Morgan é filho do falecido Thomas Morgan, condenado por extorsão e assassinato em 2003 e assassinado na prisão em 2006. Assim como o pai, Jack Morgan é suspeito de ter vínculos com o crime organizado.”
Mo já vira o suficiente. Levantando-se da cadeira, gritou para a TV:
– Vínculos com o crime organizado?! Vocês querem dizer que ele pagou as dívidas de jogo do irmão, isso sim!
– Calma – disse Sci. – Tudo isso quer dizer que a imprensa está se agarrando a qualquer coisa. Se eles tivessem algo sólido contra Jack, não teriam necessidade de falar do pai dele. Não precisariam fazer nenhuma insinuação.
A voz de Turner tornou a sair do monitor de alta definição na parede acima da mesa de Mo: “Fontes próximas à polícia informaram ao Canal 9 que os indícios físicos encontrados na vítima incriminam Jack Morgan, mas a natureza desses indícios não foi divulgada para a imprensa.”
– Vá se ferrar! Morra, sua vaca!
Sci arrancou o controle remoto da mão de Mo e desligou a TV.
– Eu seria capaz de cortar a cabeça e as pernas dela e enfileirar os pedaços um do lado do outro. Ela nem saberia que está morta.
– Maureen, excesso de emoção é contraproducente.
– Jack nunca seria capaz de matar Colleen.
– Não, não seria, não matou e não vai ser indiciado. Isso é só a imprensa livre fazendo o que sempre faz: passando as notícias no liquidificador.
– Ah, e você acha que nenhum inocente nunca foi para a prisão? É algo que nunca acontece?
– Posso dar uma sugestão? Que tal você canalizar toda essa energia para investigar o caso?
– Sim, claro. Mas tanto você quanto eu sabemos que a única coisa capaz de salvar Jack é uma confissão do assassino – disse Mo-bot. – Uma confissão que inclua uma explicação de como o cara conseguiu pôr o sêmen de Jack dentro do corpo de Colleen.