Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 65 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 62

 

CAINE ESTAVA À MINHA ESPERA do outro lado da grade de ferro. Passou um braço em volta dos meus ombros e me fez avançar rapidamente pela multidão agitada de motociclistas e bandidinhos em frente à prisão.

O carro estava à nossa espera. Aldo se levantou do banco da frente com um pulo e foi depressa abrir a porta para mim.

– Tudo bem, Jack?

– Parece que fui atropelado e que, para me recuperar, passei dois dias dormindo dentro de um canal de esgoto – respondi.

Aldo sorriu.

– Ah, cara, que horror. Mas agora você está aqui com a gente. Olhe, tem café no banco de trás.

Fazia mesmo apenas cinco dias que Aldo tinha ido me buscar no aeroporto e me levado para casa? Minha sensação era de que havia se passado pelo menos uma década.

Caine entrou no banco de trás ao meu lado e o Mercedes disparou para se integrar ao tráfego.

– Quero passar em casa e trocar de roupa.

– Melhor passar no quarto de hotel, Jack. Tem apenas uma hora que tiraram a fita de cena do crime da sua casa. Ninguém foi lá limpar ainda. Cody levou algumas roupas para o hotel.

Assenti e pensei na minha cama encharcada de sangue. Na minha casa tingida para sempre com esse sangue.

Havia um jornal no banco ao meu lado. Com uma fotografia grande na primeira página. Levei um segundo para perceber que o homem acorrentado em pé na fila do ônibus do TTCF era eu.

A manchete dizia: “Morgan solto sob fiança”. O subtítulo era: “Acusado de homicídio paga fiança de 20 milhões”.

O lide falava sobre o assassinato de Colleen, depois discorria por algumas linhas sobre Phil Spector, Robert Blake, O. J. Simpson. Outros assassinos de Los Angeles.

– Quando é o julgamento? – perguntei a Caine.

– Não temos uma data. Ainda não – respondeu meu advogado. – Nem queremos marcar uma data tão cedo.

Entendi o que ele quis dizer. Tudo o que tínhamos a meu favor era minha declaração de inocência. Ou seja, merda nenhuma.

O carro ficou me esperando em frente ao Beverly Hills Sun. Entrei e subi até meu quarto opulento e dourado. Tirei a roupa e fiquei parado sob os seis jatos d’água no boxe de mármore travertino. Os jatos de água quente e limpa quase me ressuscitaram.

Meia hora mais tarde, por volta do meio-dia, entrei na Private e subi saltitando a escada.

O posto de trabalho de Cody estava vazio, mas um cliente andava de um lado para outro no espaço livre em frente à minha sala. Era Dewey Arnold, principal advogado da Hamilton-Price, maior agência esportiva do mundo.

– Dewey, entre. Não esperava você.

– Eu não preciso entrar, Jack.

– Ah, não?

Eu estava a caminho da minha sala, mas parei, virei-me e encarei o rosto marcado de Arnold.

Eu o conhecia desde a adolescência. O escritório dele havia me representado durante minha tentativa única de uma temporada como jogador profissional de futebol americano. A Hamilton-Price era cliente do meu pai. Hamilton ainda era amigo de meu tio Fred, um dos dirigentes do Oakland Raiders.

Fazia cinco anos que a Hamilton-Price era cliente da Private.

– É melhor eu ir direto ao ponto, Jack. Você está demitido. Não queremos mais trabalhar com você.

– Dewey, entre. Vamos conversar. Não sou culpado de nada. Foi uma…

– Já ouvi a história. Foi uma armação – disse ele. – Não estamos nem aí. Para nós essa história cheira mal. Já acertei tudo com a contabilidade e vou soltar um release para a imprensa hoje à tarde. Vamos transferir nossos negócios para a Private Security.

– Vocês vão trabalhar com meu irmão?

– Por lealdade à sua família. Hamilton me pediu que lhe desejasse boa sorte.

Ao falar isso, cuspiu um pouco de saliva. Limpei a bochecha enquanto Dewey Arnold avançava a passos largos rumo ao elevador.