Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 32 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 29

 

SIGGY O. ERA UM GAROTO negro de mais de 1,80 metro e 90 quilos, com os dreads amarrados atrás da cabeça com um barbante. Com pais e avós drogados, já era viciado antes mesmo de nascer. Ele cumprimentou Cruz:

– Caaara! Há quanto tempo. E aí?

Os dois apertaram-se as mãos e deram-se tapinhas nas costas. Siggy assumiu uma postura de boxeador e simulou algumas esquivas, jabs e passos enquanto Cruz interceptava os socos com as mãos espalmadas.

– Vi você na TV, cara – disse Siggy. – No Sports Classics, sabe qual é esse canal? No MGM Grand de Las Vegas. Você contra Michael Alvarez. Ele te derrubou de jeito no oitavo round.

– Eu sei – disse Cruz, rindo. – Eu estava lá.

– Está tudo bem agora?

– Tudo. E com você?

– Faz 38 dias que estou limpo – disse Siggy. – Entrei para um programa. Não falto a nenhuma reunião. Tem umas mulheres bem bonitas. Elas querem cuidar de mim. Mas está tudo certo. Eu quero mesmo que cuidem de mim.

Mais risadas, e então Siggy perguntou:

– Mas e aí, Emilio, o que você manda?

– Estamos procurando uma van que foi roubada ontem à noite. Com uma carga pesada de tarja preta.

– Com ar-condicionado? Uns legumes pintados na lateral?

– Isso – respondeu Cruz.

– Preciso viver, mano. O que eu ganho com isso?

– Cinquenta pela localização da van. Mais 200 se recuperarmos a carga.

– Duzentos e cinquenta? Ah, Emilio. Tem milhões de dólares dentro daquela van. Milhões.

Siggy convenceu Cruz a adiantar 100 dólares, e, ao receber o dinheiro, falou:

– Um armazém na South Anderson Street. Uma fábrica de vasos de plantas, ou melhor, a fachada é uma fábrica de vasos. Segurança de alta tecnologia em tudo que é canto. Ouvi dizer que a van está lá dentro. E, Emilio, se você me der uma porcentagem, eu lhe dou uma porcentagem.

– Sig, a gente não vai entrar na venda de drogas. Mas obrigado mesmo assim. O que mais você escutou?

– Que a van foi roubada dos carcamanos. E que não vai ficar muito tempo naquele armazém.

– Valeu, Siggy – disse Cruz.

– Bom te ver, mano. Tem meu celular novo?

– Me passa.

Siggy digitou o próprio número no telefone de Cruz. Os dois se deram as mãos e se cumprimentaram com um toque dos ombros. O rapaz alto se afastou por um beco a passos lentos.

Cruz ligou para Jack.

– Temos uma pista sobre a van – falou. – Está escondida em um armazém. Claro. Ok. Jura? Sério mesmo?

Cruz disse a Jack para onde iriam e fechou o telefone. Falou para Del Rio:

– Jack quer pôr um cara novo para trabalhar com a gente. Era bailarino clássico. – Ele fez uma pausa. – Isso quer dizer que ele é gay?

– Você nunca ouviu falar em cuidar da sua vida? – retrucou Del Rio.