Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 29
SIGGY O. ERA UM GAROTO negro de mais de 1,80 metro e 90 quilos, com os dreads amarrados atrás da cabeça com um barbante. Com pais e avós drogados, já era viciado antes mesmo de nascer. Ele cumprimentou Cruz:
– Caaara! Há quanto tempo. E aí?
Os dois apertaram-se as mãos e deram-se tapinhas nas costas. Siggy assumiu uma postura de boxeador e simulou algumas esquivas, jabs e passos enquanto Cruz interceptava os socos com as mãos espalmadas.
– Vi você na TV, cara – disse Siggy. – No Sports Classics, sabe qual é esse canal? No MGM Grand de Las Vegas. Você contra Michael Alvarez. Ele te derrubou de jeito no oitavo round.
– Eu sei – disse Cruz, rindo. – Eu estava lá.
– Está tudo bem agora?
– Tudo. E com você?
– Faz 38 dias que estou limpo – disse Siggy. – Entrei para um programa. Não falto a nenhuma reunião. Tem umas mulheres bem bonitas. Elas querem cuidar de mim. Mas está tudo certo. Eu quero mesmo que cuidem de mim.
Mais risadas, e então Siggy perguntou:
– Mas e aí, Emilio, o que você manda?
– Estamos procurando uma van que foi roubada ontem à noite. Com uma carga pesada de tarja preta.
– Com ar-condicionado? Uns legumes pintados na lateral?
– Isso – respondeu Cruz.
– Preciso viver, mano. O que eu ganho com isso?
– Cinquenta pela localização da van. Mais 200 se recuperarmos a carga.
– Duzentos e cinquenta? Ah, Emilio. Tem milhões de dólares dentro daquela van. Milhões.
Siggy convenceu Cruz a adiantar 100 dólares, e, ao receber o dinheiro, falou:
– Um armazém na South Anderson Street. Uma fábrica de vasos de plantas, ou melhor, a fachada é uma fábrica de vasos. Segurança de alta tecnologia em tudo que é canto. Ouvi dizer que a van está lá dentro. E, Emilio, se você me der uma porcentagem, eu lhe dou uma porcentagem.
– Sig, a gente não vai entrar na venda de drogas. Mas obrigado mesmo assim. O que mais você escutou?
– Que a van foi roubada dos carcamanos. E que não vai ficar muito tempo naquele armazém.
– Valeu, Siggy – disse Cruz.
– Bom te ver, mano. Tem meu celular novo?
– Me passa.
Siggy digitou o próprio número no telefone de Cruz. Os dois se deram as mãos e se cumprimentaram com um toque dos ombros. O rapaz alto se afastou por um beco a passos lentos.
Cruz ligou para Jack.
– Temos uma pista sobre a van – falou. – Está escondida em um armazém. Claro. Ok. Jura? Sério mesmo?
Cruz disse a Jack para onde iriam e fechou o telefone. Falou para Del Rio:
– Jack quer pôr um cara novo para trabalhar com a gente. Era bailarino clássico. – Ele fez uma pausa. – Isso quer dizer que ele é gay?
– Você nunca ouviu falar em cuidar da sua vida? – retrucou Del Rio.