Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 12
– JACK, FODEU TUDO – DISSE Carmine Noccia. – Uma das minhas vans foi interceptada em Utah. Três dos meus caras foram mortos e desovados no deserto. Não acho que a polícia vá me ajudar a recuperar meus bens… o que precisa ser feito para ontem. Que bom que tenho você do meu lado.
Eu não faço negócio com mafiosos.
Ou melhor, não fazia. Não fazia negócio com mafiosos até Tommy Jr., meu irmão gêmeo univitelino, acumular uma dívida de jogo de 600 mil dólares e eu precisar pagá-la para impedir que sua adorável esposa ficasse viúva.
Alguns meses antes, Del Rio e eu tínhamos pegado um avião até Vegas para visitar Noccia em sua mansão extravagante em estilo espanhol a uns 8 quilômetros da Las Vegas Strip. Tinha até cavalos de corrida e rio artificial.
Eu levara comigo um cheque que cobria a dívida do meu irmão, e Noccia e eu trocamos favores. Nesse dia, percebemos que ambos tínhamos servido como fuzileiros navais. Como os marines gostavam de dizer sobre si mesmos: “Amigo melhor impossível. Inimigo pior também.”
Carmine Noccia e eu selamos o acordo com um aperto de mão.
Agora, Noccia estava servindo um café para si. Acrescentou creme e me passou a garrafa térmica.
– Os meus caras eram bons – disse ele. – Mas os assaltantes eram melhores. E é tudo que eu sei sobre os filhos da puta.
– Quando foi isso?
– Ontem à noite – respondeu Noccia. – A nossa van estava vindo de Chicago e seguia para oeste. Tínhamos instalado um chip de rastreamento nela. Ninguém percebeu nada de errado até a van passar por Vegas e seguir em frente até Los Angeles. Os assaltantes devem ter achado e destruído o chip quando pararam para fazer o inventário da carga.
– Quer dizer que você acha que a van está aqui?
– Eu diria que sim. LA é um grande centro de distribuição. A carga é valiosa, Jack.
– Drogas?
Ele assentiu.
– Tarja preta.
– Quanto?
– Valor de revenda de 30 milhões.
Agora eu entendia por que Noccia ficara à minha espera antes de o escritório abrir. Antigamente, a Máfia não via com bons olhos o tráfico de drogas, mas os remédios tarja preta eram um ramo em ascensão e altamente lucrativo, bom demais para ser ignorado.
Remédios também eram fáceis de roubar em qualquer ponto da cadeia de distribuição. Qualquer lojinha com um cadeado de 12 dólares na porta podia ter um estoque de um analgésico como o OxyContin no valor de 150 mil dólares.
Cada comprimido era uma pequena central de lucro cem por cento aprovada pela FDA, a agência reguladora de alimentos e medicamentos. Os comprimidos maiores de OxyContin eram compostos por 80 miligramas de cloridrato de oxicodona. A 1 dólar o miligrama, um só comprimido valia 80 pratas, e cada frasco tinha cem comprimidos. Isso significava que um frasquinho apenas valia 8 mil dólares. Um caminhão inteiro, então, valia uns 30 milhões ou mais.
O problema de Noccia era dos grandes. Ele estava desesperado para conter os danos, mas ao mesmo tempo não podia deixar ninguém descobrir que estava traficando remédios tarja preta. Era por isso que, em vez de soltar seus capangas no submundo, tinha ido me procurar.
Os remédios vendidos ilegalmente matavam mais pessoas do que todas as outras drogas ilícitas juntas. Aquele era um negócio muito sujo e eu não queria me meter nele.
Noccia se inclinou para mais perto e me encarou com seus grandes olhos castanhos.
– Esperei trinta anos para dizer isso, Jack. Vou fazer uma oferta que você não vai poder recusar.