Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 47 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 44

 

TOMMY.

Eu tinha de encarar os fatos. O desgraçado do meu irmão podia estar envolvido na morte de Colleen. Será que ele havia enlouquecido? Ele mataria Colleen para me atingir?

Pensei na ruptura que havia nos separado de vez. Tommy e eu estávamos no nono ano. Tínhamos 14 anos.

April Lundon era um ano mais velha.

Era uma menina charmosa, paqueradora e espontânea. Sabia andar plantando bananeira, montar a cavalo sem sela e já tinha ido a Paris. Tivera um namorado francês no verão anterior e sabia algumas palavras picantes naquele idioma.

Ela gostava de andar entre mim e Tommy com as mãos enganchadas no bolso de trás de nossas calças. Dizia que gostava de nós dois na mesma medida – e ambos éramos loucos por ela. April não conseguia escolher.

Tommy e eu concordamos que só um de nós poderia ficar com a garota. Foi April quem inventou as regras: um concurso de beijo. Ela estaria vendada. O que beijasse melhor ganharia. E havia uma promessa velada de que o vencedor ganharia tudo.

Eu e meu irmão estávamos explodindo de testosterona e éramos bem convencidos. A ideia de “eliminatórias do beijo” era deliciosa. Nós dois achávamos que podíamos vencer e nunca pensamos nas consequências. Jamais ocorreu a nenhum dos dois simplesmente desistir.

April beijou Tommy, depois me beijou. Pus todo o meu coração naquele beijo, como se nunca mais fosse beijar outra garota na vida. April me escolheu.

Então, em uma melhor de três, tornou a me escolher.

Tommy nunca perdoou April. Tampouco a mim. A briga foi incentivada pelo nosso pai, que sempre favorecia um de nós e em seguida, sem nenhum motivo que conseguíssemos identificar ou entender, favorecia o outro. Era um homem imprevisível e cruel.

A inimizade entre nós aumentou, tornou-se suja, física, e durou até bem depois de April Lundon ir para a faculdade, se casar e ter quatro filhos. Durou até depois de meu pai me dar 15 milhões de dólares e as chaves da Private.

Durou até depois de ele morrer.

Portanto, havia um histórico de disputa entre mim e Tommy. Mas será que ele chegaria ao cúmulo de se vingar cometendo assassinato?

Na minha opinião, meu irmão era capaz disso.

Mas eu não sabia se tinha sido ele.

Fiquei encarando o espaço vazio entre Sci e Justine e pensei em ir ao escritório de Tommy, arrastá-lo de lá e fazer o que fosse preciso para obrigá-lo a falar.

Chamei Cody pelo interfone.

– Preciso ver Del Rio e Cruz. Agora.

Mas Justine estendeu a mão por cima da mesa e tocou meu braço.

– Espere – disse ela. – Espere até ter provas suficientes para incriminar Tommy.