Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 17 de 135

Páginas do PDF

Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 14

 

ABELA MULHER SENTADA NA POLTRONA azul me fez pensar nos velhos filmes de detetive em preto e branco, adaptações de romances de Raymond Chandler, Dashiell Hammett ou Mickey Spillane.

Amelia Poole parecia uma cliente de Sam Spade: glamorosa, branca, quase 40 anos, com cabelos castanhos curtos e sem aliança no dedo.

No lugar da piteira e da estola de pele em volta do pescoço, a Sra. Poole segurava um iPhone e em sua garganta luzia uma elegante corrente de ouro e diamantes.

– O senhor parece ter passado a noite em claro, Sr. Morgan – comentou ela com um sorriso rápido, guardando o telefone na bolsa. – Digo isso porque eu também passei.

– Tenho certeza de que a sua noite foi mais interessante do que a minha – retruquei, e tive um flash do quarto de Del Rio, com o colchão militar e as paredes brancas sem ornamentos.

Amelia Poole tinha um sorriso bonito, porém forçado. Seu olhar era sombrio.

Por que teria vindo me procurar? Estaria sendo processada? Perseguida? Precisaria de mim para encontrar um filho perdido?

Pelo dossiê que tínhamos a seu respeito, eu sabia que Amelia Poole havia comprado e reformado três velhos hotéis em pontos privilegiados e os transformado em caros hotéis cinco estrelas da cadeia Poole. Eu já fora ao bar que ficava no último andar do Sun e me hospedara uma ou duas vezes no Constellation de São Francisco. Na minha opinião, as cinco estrelas eram merecidas.

Em seu dossiê havia também a menção a alguns roubos seguidos de assassinato não solucionados cometidos em seus hotéis e em mais dois outros estabelecimentos e que haviam feito a Câmara de Comércio da Califórnia tremer.

Os casos continuavam em aberto, mas na atual conjuntura político-econômica as mortes de turistas nunca saíam nas manchetes.

– Me desculpe, Sra. Poole, mas não me disseram por que a senhora quer falar comigo.

– Jinx – disse ela.

– Como?

– Pode me chamar de Jinx. É assim que todo mundo me chama.

– Jack – falei.

Servi o café e ela disse que tinha ouvido falar que nós da Private éramos muito bons. Ainda parecia nervosa, como se estivesse tentando esconder o que a incomodava.

A Sra. Poole brincou com a corrente de diamantes enquanto me lançava breves olhares fugidios.

– Então, o que a fez procurar a Private?

Ela despejou sua história:

– Um hóspede foi morto ontem à noite no quarto em que estava hospedado no Sun. Não contei a ninguém. Nem avisei à polícia ainda. Estou com medo. É o terceiro hóspede assassinado em um dos meus hotéis e não sei o que fazer.