Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 46 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 43

 

A ESCADARIA DA PRIVATE ERA UMA larga espiral: cinco andares que davam voltas ao redor de um vão sobre a área de recepção, no térreo. A escada fora inspirada no interior da concha de um náutilo. E em uma escadaria de pedra que eu certa vez descera no Vaticano.

Estava subindo para minha sala quando Sci, pulando os degraus, me alcançou no terceiro andar e disse:

– Espere aí, Jack.

Sua expressão era triste.

Senti um frio na barriga como se estivesse num elevador despencando.

– O que foi, Sci?

– Está olhando para um mensageiro de más notícias – disse ele. – Bruno acabou de ligar.

Bruno era um amigo de Sci, perito de primeira linha do laboratório de criminalística da polícia, o tal que esperava que Sci um dia o levasse para trabalhar na Private.

Passamos por Cody a caminho da minha sala.

Sci sentou-se em uma cadeira, pôs os pés para cima apoiados na borda da minha mesa e disse:

– Isso fica entre nós, ok? Caso contrário, teremos que contratar Bruno. E vamos perder um bom contato no laboratório.

– Pode falar. Não, espere. Quero que Justine ouça também.

– Tem certeza? – perguntou Sci.

– Absoluta.

Chamei Justine na linha interna. Ela disse que iria subir imediatamente e no minuto seguinte entrou na minha sala e mal olhou para mim. Sentou-se na cadeira ao lado de Sci, que falou:

– O laboratório de criminalística da polícia encontrou sêmen no corpo de Colleen. O DNA corresponde ao seu.

– Está de brincadeira – falei.

Justine não disse nada, mas pude ler o comentário no seu rosto: Por que será que isso não me espanta?

– E parece que a polícia já estabeleceu a sequência de fatos – prosseguiu Sci. – O que me disseram foi o seguinte: no dia do crime, Colleen usou o cartão de crédito para encher o tanque do carro e comprar alguns artigos variados na Sunoco do La Cienega Boulevard. Almoçou sozinha no Newsroom Café do North Robertson Boulevard e o carro dela acaba de ser encontrado no edifício-garagem que fica ao lado do restaurante.

Eu ia montando o quebra-cabeça enquanto Sci falava. Tentei bloquear a questão do sêmen no corpo de Colleen.

– Jack, a polícia levantou seu histórico telefônico – disse Sci. – Seu telefone fixo foi usado durante o período em que Colleen foi assassinada e você disse que não estava em casa.

– O assassino usou meu telefone?

– É. Parece que ligou para alguém que atendeu e desligou dois segundos depois. A ligação foi para o celular de Tommy.

– Meu Deus. Que diabo significa isso?

Pois é, o que significava aquilo?

– O sêmen – disse Justine. – Se Tommy tivesse relações com Colleen, o DNA seria o mesmo.

– Sim – confirmou Sci. – Ele e Jack têm DNAs idênticos.

– A polícia está dizendo o que, então? Que eu transei com Colleen, depois a matei e por fim liguei para o meu irmão? Ou que nós a matamos juntos?

– Jack, o que eu sei é que Mitch Tandy quer a sua cabeça por esse crime e, se também conseguir a de Tommy, o inspetor vai ter um grande dia.