Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 39
JUSTINE ESTAVA AO VOLANTE DE seu Jaguar azul-escuro, com Scotty no banco do carona. Saíram da Melrose Avenue, passaram pelos portões em arco do estacionamento da Harlequin Pictures e pararam junto à guarita.
– Justine Smith. Vim falar com Danny Whitman – identificou-se ela.
O guarda correu o dedo por uma lista no laptop e comparou a foto da carteira de motorista de Justine com seu rosto. Disse seu nome em um telefone, então se virou para ela e falou:
– Pegue a direita, depois a esquerda na Avenida P. Siga em frente até ver o número 231 na esquina da Onze. – Ele acenou para deixá-la passar.
– Vi todos os filmes que Danny Whitman fez – disse Scotty. – Inclusive o primeiro, Atormentado. Ele fazia o menino com os cães selvagens, lembra? Sabia que ele um dia ficaria famoso.
Justine lhe lançou um breve sorriso, diminuiu a velocidade para passar por um quebra-molas, dobrou à esquerda no segundo cruzamento e seguiu por uma rua margeada de estúdios e prédios de estuque de dois e três andares. Outrora eles eram usados como residência para roteiristas e atores e atualmente são ocupados sobretudo por escritórios de produção e administração.
Enquanto ela dirigia, pensamentos confusos povoavam sua mente: sobre Jack, Jack com Colleen e sobre como tinha certeza de que ele mentira sobre o que acontecera entre eles naquele almoço. Pensava também na proposta que havia recebido, no emprego que não seria tão bom quanto o de agora – exceto por um detalhe importante: ela não teria que ver Jack cinco dias por semana.
Scotty a observava. Ela recordou o que ele acabara de dizer. Que estava animado com a ideia de trabalhar com Danny Whitman.
– Ainda não pegamos o caso, Scotty. Mas, se pegarmos, aposto 10 pratas que você vai ficar feliz quando tiver terminado.
Ela baixou o para-sol, diminuiu a marcha e disse:
– Ele está começando um filme novo. De ação, aventura, claro. A pergunta é: será que vai conseguir terminá-lo?
– Tons de verde – disse Scotty. – Já li a respeito. Espionagem e contraespionagem no século XXI.
– Está bem, estou impressionada – disse Justine. – Você fez o dever de casa direitinho.
A mente de Justine repassou o caso em questão. Desejou não ter dito a Jack que o aceitaria. A investigação poderia demorar. E a única coisa da qual se podia ter certeza, tratando-se de astros de cinema, era que a situação ficaria feia.
Por favor, meu Deus. Permita que esse caso seja a exceção à regra. Permita que seja fácil.
– Me desculpe? – indagou ela a Scotty. Ele estava falando outra vez.
– Você perdeu a reunião. Jack falou sobre Colleen Molloy. Parece que o pessoal gostava dela.
– Ela era um amor – disse Justine. – Que número é aquele? – perguntou, correndo os olhos pelos prédios brancos.
– Um amor. Interessante escolha de palavras.
– Autêntica. Divertida. Sem afetação.
– E você também namorou Jack?
– Puxa, você é bom mesmo em verificar antecedentes – disse Justine. – Pronto, ali. Bem na esquina. Agora escute, Scotty, eu não sei nem se vamos pegar o caso, então limite-se a observar e escutar.
– Posso fazer isso. – Ele sorriu. – Mas você não respondeu à minha pergunta.
Justine freou o carro junto ao meio-fio, desligou o motor e olhou para o novo membro da equipe. Um rapaz jovem, de traços comuns. Devia ter um pouco de sangue alemão, um pouco de britânico e um pouco de índio norte-americano. Era bonito e bastante convencido, mas também curioso e obstinado. E afável. Seria um bom acréscimo para a agência. Desde que permanecesse otimista.
– Jack arrasa corações – disse Justine. – É isso que ele faz da vida. Nem sei se é culpa dele. As mulheres sentem vontade de consertar Jack e acham que vão conseguir. Eu também achei.
Ela estendeu a mão até o banco de trás para pegar a bolsa de couro. Abriu-a e tirou lá de dentro um estojo de maquiagem. Pegou um batom e um espelho e se retocou.
– Então aconteceu mesmo o que Jack disse – comentou Scotty. – Alguém armou para cima dele.
– Jack pode ser muitas coisas, mas assassino não é uma delas.
Justine fechou a bolsa e abriu a porta do carro. Scotty ainda estava falando:
– Mas ele não esteve na guerra? Não foi fuzileiro naval?