Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 84 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 81

 

 

FAZIA QUATRO HORAS QUE JUSTINE vira Danny Whitman pela última vez e nesse tempo ele fora transferido de Lost Hills, a melhor prisão do estado, para o TTCF.

Estava agora no setor médico do Twin Towers, abarrotado de detentos, a maioria deles mentalmente desequilibrada.

Justine havia trabalhado em lugares como aquele. Nunca eram agradáveis.

Depois de passar por uma nova revista íntima e por um detector de metais, ela se postou na soleira da porta e olhou em volta.

O cômodo retangular tinha guardas armados de cada lado da porta, barras nas pequenas janelas, paredes recém-pintadas com um tom de verde industrial, e havia um cheiro forte, quase insuportável, de desinfetante.

Localizou Danny em um dos leitos de hospital, o terceiro depois da sala de enfermagem protegida por uma divisória de vidro. Ele tinha os olhos roxos e estava usando um avental de papel e uma faixa de gaze na cabeça. Estava algemado na barra da cama.

Justine fora avisada de que teria quinze minutos com Danny, sem contato físico, e que, caso violasse a regra, o encontro seria encerrado na mesma hora.

Danny ergueu os olhos ao notar que ela se aproximava. Pareceu mais feliz em vê-la do que ela imaginava. Justine mal o conhecia. O que o rapaz achava que ela poderia fazer por ele?

Justine puxou uma cadeira de plástico para junto da cama.

– Danny, não temos muito tempo. Pode me dizer o que aconteceu?

– Piper e eu estávamos apaixonados, mas eu não podia contar a ninguém por causa da idade dela, e escute, os paparazzi…

– Desculpe, Danny. Pode me dar a versão resumida?

Justine o avaliava. Será que ele estava raciocinando? Estaria lúcido? Dizia a verdade? Estava vivendo no aqui e agora ou em um mundo que ele próprio havia criado?

– Ontem de manhã, quando estávamos nos preparando na Ferrari, Piper me disse: “Que pena não podermos simplesmente fugir daqui” e eu pensei com o coração. Nunca tínhamos dormido juntos… Era uma ótima oportunidade. Fomos até o chalé que comprei no ano passado com uma identidade falsa. Ah, meu Deus, se eu tivesse pensado com a cabeça ela ainda estaria viva.

Ele estava chorando de novo.

– Danny. Daqui a doze minutos vou ser posta para fora, então, por favor, fale comigo. Você brigou com Piper?

– Ah, não. Nós tivemos um dia maravilhoso. Nos divertimos até cair de cansaço na cama. Eu acordei… talvez alguma coisa tenha me acordado. Piper havia sumido.

– E aí, o que aconteceu?

Danny secou o rosto com a manga do avental e prosseguiu.

– Saí para procurá-la. Estava bem escuro do lado de fora, mas vi um carro parado ao lado da Ferrari. Estava bem em cima do canteiro. Não devia haver nenhum carro ali. Então vi uma lanterna se movendo pelas árvores e comecei a subir a trilha chamando Piper. – Danny continuou após um instante: – De repente, a luz sumiu. Ouvi o carro dar a partida atrás de mim e pensei que talvez ela tivesse se arrependido e chamado alguém para buscá-la. Mas aí encontrei a sapatilha dela na beira do penhasco. Pensei: “Não, ela não pode estar lá embaixo”, mas quando olhei pela borda… Sabia que não podia fazer mais nada por ela. Aí liguei para a senhora. Liguei para todo mundo.

– Seu tempo acabou – disse o guarda, se aproximando da cama.

– Eu juro, Dra. Smith, que não fiz aquilo com Piper. – O rapaz a encarava. – Você precisa acreditar em mim. Alguém está fazendo alguma coisa comigo. Eu não sei o que é e não sei quem, mas sabe aquele carro que vi lá no chalé? Foi o dono daquele carro que matou Piper.