Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 93
– EI, EI, EI – DISSE Barstow, cuspindo. – Onde vocês conseguiram isso?
Um calafrio percorreu a espinha de Justine. Ela observou atentamente o rosto de Barstow enquanto ele encarava as fotos de identificação da polícia e a ficha que listava sua prisão por crimes de pedofilia. Nada restava de sua arrogância, agora substituída por sentimentos mais primitivos: medo, raiva e incompreensão, emoções que tornavam as pessoas violentas.
– Hoje em dia existem softwares, Alan – disse Justine. – Eu posso comparar essas fotos com o rosto de criminosos sexuais em qualquer base de dados da polícia, mesmo que o crime tenha acontecido dez anos atrás em Nova Jersey. Mesmo que você tenha mudado de nome.
– E daí? – retrucou ele, jogando a pasta para fora da mesa. – Está dizendo que isso prova que eu matei Piper? Está de brincadeira comigo, porra? Olhe aqui. Meu único interesse em Piper Winnick era financeiro. Só isso.
Ele pegou um exemplar da Variety em cima da mesa e mostrou a manchete a Justine: “Tons de vermelho”.
– O filme já era! – gritou Barstow. – Um enorme sucesso de bilheteria já era. Sabe o que eu ganhei em troca de um ano de encheção de saco? Absolutamente nada.
Quando mais bravo ele ficava, mais relaxada Justine se sentia. Pelo menos enquanto ele apenas esbravejasse.
– Acalme-se, Alan. Não estou dizendo que você planejou ferir Piper. Estou dizendo que você se ofendeu. Tentou explicar a ela quem era você e quem era ela. As coisas fugiram ao controle. Ela se desvencilhou de você…
Barstow a cortou.
– Dra. Smith, a senhora está completamente, e não consigo nem enfatizar isso o bastante, absolutamente louca. Esta reunião acabou. Se repetir uma palavra sequer dessa merda, vou processá-la por calúnia, difamação e qualquer outra coisa que o nosso departamento jurídico consiga desencavar.
Ele se levantou da cadeira, foi até a porta e disse ao assistente:
– Jay. Leve essas pessoas daqui. Não. Chame a segurança.
Virou-se para Justine e Nora.
– Vocês têm um minuto para sair do prédio.
– A segurança de empresa nenhuma pode se meter com a polícia de Los Angeles – interveio Nora.
Desabotoando o casaco, ela mostrou a Barstow o distintivo dourado pendurado em uma corrente em volta do pescoço.
– Nós vamos analisar as roupas de Piper Winnick. Se encontrarmos o seu DNA naquela menina, você está ferrado. E temos uma testemunha que afirma que você drogou Danny Whitman e as meninas que o acusaram de conduta sexual inadequada. Nossa testemunha afirma que você organizava orgias, Alan. E convidava apenas meninas novinhas, novinhas e embriagadas, seu doente filho da puta.
Homens de uniforme cáqui chegaram marchando pelo corredor. Barstow caminhou até a porta a passos largos, abriu-a e disse ao chefe da segurança:
– Desculpe-me, Roger. Eu me enganei. Está tudo sob controle.
Fechou a porta da sala, abaixou a persiana e voltou à área de estar, mas não se sentou.
– A senhora é da polícia? – indagou. – Deveria ter dito que era da polícia. Isto é uma armadilha. Vocês não leram os meus direitos. Não vou dizer mais uma palavra sequer sem o meu advogado.
Nora se levantou e se postou bem em frente ao irado Barstow.
– Completamente errado, Sr. Barstow. Eu não sou obrigada a me identificar, e só preciso ler seus direitos caso o senhor seja detido.
Os olhos do agente desviaram de Nora para a porta, para Justine e de volta à porta, em busca de uma salvação.
– Não arruínem minha vida por causa disso – pediu ele. – Eu não matei Piper. Talvez tenha convidado garotas à minha casa para Danny. Talvez tenha servido bebida. Algumas garotas talvez tenham acordado na cama com Danny e pensado que tinham transado com ele.
– Isso não é uma confissão. É um “talvez”.
– Mas eu não empurrei Piper de um penhasco. Nem por acidente, nem de propósito. Não tive nada a ver com a morte dela.
– Sr. Barstow – disse Nora –, o senhor está preso sob suspeita de assassinato e algumas dezenas de acusações menores irão mantê-lo sob custódia até podermos verificar suas declarações. O senhor tem o direito de permanecer calado. Tudo que disser poderá ser usado contra o senhor no tribunal. Está na hora de chamar um advogado. Acho que o senhor vai constatar que o seu contrato de trabalho inclui uma cláusula de moralidade, ou seja, a CTM vai deixá-lo na mão. Mas pode tentar. Veja o que acontece.
Barstow fitou Nora com olhos desesperados.
– Esperem – falou. – Se eu ajudar a capturar o assassino de Piper, podemos fazer um acordo?
Acordos eram o ganha-pão de Alan Barstow. Ele buscava alento em sua zona de conforto.
– Se o senhor tiver informações que conduzam à prisão e à condenação do assassino de Piper Winnick, farei o possível para ajudá-lo.
– Está bem – disse Barstow. – Vou cooperar com vocês. Por escrito. Vamos relaxar, recomeçar do princípio. Eu acho que sei quem matou Piper. Não fui eu. Nem Danny.