Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 123 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 120

 

ERIC CAINE ESTAVA SENTADO AO meu lado em uma sala de depoimento na delegacia do centro da cidade. Tinha o semblante calmo de quem almoçou bem, tirou um cochilo, verificou o saldo da conta bancária de sua aposentadoria e viu que estava tudo bem.

Eu, por minha vez, estava com a sensação de ter um ninho de cobras na barriga.

A polícia não tinha revelado por que precisava falar comigo, mas eu estava quase certo de que Mitch Tandy não havia nos convocado à delegacia da Los Angeles Street para me dizer como eu era um cara bacana.

Tentei pensar em nuvens fofinhas e arco-íris, e não no fato de Tandy ter jurado me confinar para o resto da vida em um presídio federal por ter matado Colleen.

Tandy se acomodou em uma das duas cadeiras de metal na nossa frente. Então Ziegler entrou trazendo um envelope de papel pardo bem cheio. Com gestos exagerados, puxou uma cadeira, colocou o envelope em cima da mesa e, depois de se sentar, fez estalar um elástico que trazia em volta do pulso.

Era como se estivesse em um palco.

Como se quisesse toda a atenção.

O que estaria acontecendo?

Tirando o tique do elástico, nenhum dos dois policiais demonstrou qualquer sinal de emoção.

– Imagino que os senhores já saibam de que assunto se trata – disse Tandy.

– Por que não nos informa? – respondeu Caine. – Meu cliente tem a agenda cheia. Tenho certeza de que o senhor também.

– O nome Clay Harris significa alguma coisa para o senhor? – perguntou-me Tandy.

Ele sabia muito bem que eu conhecia Harris.

Três dias haviam se passado desde que eu estivera frente a frente com o cadáver de Harris. Não ouvira nada sobre o tiroteio desde então. E não tivera qualquer notícia do meu irmão.

Caine estava falando por mim.

– Nós dois conhecemos Clay Harris. Ele trabalhou para a Private por… quantos anos, Jack? Três? Foi desligado em 2009 por extorsão.

– Ele morreu – disse Tandy. – Foi baleado em casa três dias atrás. Morava em um lugar ermo. Um informante anônimo chamou a polícia.

– Lamento saber que Harris morreu – disse Caine. – O que isso tem a ver com Jack?

As cobras se remexeram na minha barriga. Será que eu havia deixado alguma digital na casa de Harris? Será que alguém vira o meu carro com a traseira amassada? Será que Tommy havia procurado a polícia e dito que fora eu o autor dos tiros? Considerei várias vezes todas essas possibilidades, mas tinha certeza de que não havia tocado em nada na casa de Harris. Não deixara qualquer indício, disso estava absolutamente seguro.

Ziegler abriu o envelope, vasculhou o conteúdo e sacou uma folha. Eu havia aprendido a ler de cabeça para baixo quando tinha 3 anos. Aquilo era um laudo do laboratório forense da polícia de Los Angeles.

– Alguém deu uma mordida na mão de Clay Harris – disse Ziegler. – O médico-legista identificou a mordida com a arcada dentária de Colleen Molloy. Parece que ela mordeu Harris. Deve ter sido a última coisa que fez antes de ele a matar.

Eu já sabia o que o laboratório da polícia havia descoberto. Sci também havia identificado a mordida e constatado que correspondia à arcada de Colleen.

Esperei Ziegler tornar a falar. Calculei que ele estivesse esperando eu deixar escapar alguma informação que ele não tivesse. O silêncio se arrastou.

– Isto aqui não é o filme 48 horas, inspetor, e nós não temos 48 horas – disse Caine. – Os senhores identificaram a mordida na mão de Harris com os dentes de Colleen Molloy. Querem saber se estamos interessados? Sim, estamos.