Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 119 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 116

 

– DÊ UMA OLHADA NISTO AQUI – falei para Tommy.

Acessei o vídeo de Mo-bot no meu celular e entreguei o aparelho ao meu irmão. Ele apertou o play e ouvi o som metálico de jornalistas gritando para tentar chamar minha atenção em frente ao escritório da Private, em um dia que eu jamais iria esquecer.

– É você sendo levado para o xilindró – comentou meu irmão. – Esse pessoal não alivia.

– Continue assistindo. Está vendo alguém que conhecemos?

– Cara, é Clay Harris. O que ele estava fazendo lá?

– Ele trabalha para você, Tommy.

– Só meio período. O cara precisa de ajuda, acredite.

– Quer dizer que você não teve nada a ver com o fato de ele estar lá?

– Não, caramba. O que você está dizendo? Que eu sabia que você seria preso? E chamei Clay? Por que eu faria uma coisa dessas?

– Vamos conversar com ele – falei.

– Agora?

– Não existe hora melhor do que agora.

– Se você está dizendo… Vou avisar a Annie que vou dar uma saída. Encontro você no carro.

Alguns minutos depois, Tommy me encontrou no acesso à sua casa. Estava de casaco e havia trocado de sapato. Deu a volta no Lamborghini.

Correu a mão pela traseira esquerda do carro e ao longo do vinco até a porta. Seu casaco se abriu e vi a pistola enfiada no cós da calça.

– Caraca, o que houve com seu carro? – perguntou ele.

– Fui ao supermercado. Quando voltei…

– Conheço um ótimo lanterneiro. Vou lhe dar o telefone. Mas por melhor que Wayne seja, este carro nunca mais vai ficar igual. Uma pena.

– Entre.

– Você pode dirigir?

– Entre logo. E tente não dar um tiro no próprio pau.

Tommy entrou no carro. Saí para a West Sixth rumo à I-5 sentido norte. Calculei que, àquela hora da noite, o trajeto até Santa Clarita fosse demorar 45 minutos.

– Por que você quer falar com Clay? – perguntou-me Tommy.

Clay Harris havia trabalhado para meu pai como investigador. Quando eu assumi a Private, ele constava da folha de pagamento da agência.

Eu não gostava de Clay, mas ele era ótimo de vigilância. Era capaz de seguir alguém ou ficar sentado dentro de um carro por dias a fio. Parecia um operário desempregado, capaz de se misturar a uma multidão na rua. E sabia tudo de eletrônica.

Mas ele era um traidor e um mentiroso.

Clay Harris havia superfaturado suas prestações de contas. Fizera trabalhos por fora. E um dia chegara a vender fotografias de um cliente em um momento comprometedor. Eu descobri.

Foi então que o mandei embora.

No dia seguinte, Harris foi falar com Tommy, que lhe arrumou outro emprego.

Pensar nele agora, no meio daquelas pessoas, vendo-me ser escoltado para a prisão, punha Clay Harris em uma categoria inteiramente nova. Ele não gostava de mim. Tinha as habilidades necessárias para me prejudicar. E eu não diria que assassinato estava fora das suas possibilidades.

– Eu quero conversar com Clay sobre Colleen – falei para Tommy.