Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 85
PAUL RICCI, CHOFER DE LIMUSINE durante o dia e leão de chácara à noite, pesava uns 90 quilos, quase tudo músculos. Passou correndo pelo pequeno prédio administrativo na entrada do estacionamento, fez uma curva fechada para a esquerda em direção à calçada e acelerou ainda mais ao chegar à rua lateral.
Cruz saiu correndo atrás dele.
Era menor e mais rápido e começou a se aproximar de Ricci, que corria margeando uma cerca coberta de trepadeiras no sentido norte, rumo ao Sepulveda Boulevard.
Cruz não queria chegar ao bulevar. Uma perseguição a pé por oito pistas de tráfego era engavetamento certo.
– Ricci! – gritou. – Pare! – Mas Ricci correu direto para o meio do tráfego, demonstrando uma boa movimentação ao desviar dos carros velozes.
Buzinas soaram, primeiro para Ricci, depois porque o tráfego havia ficado mais lento. Instantes depois, Cruz perdeu o chofer de vista.
Ficou parado no mesmo lugar por um momento, inspirando profundas doses de fumaça de óleo diesel e tentando acompanhar tudo ao mesmo tempo. Veículos de todos os tamanhos e formatos prejudicavam sua visão, e ele começou a ficar furioso.
Por que diabo o cara estava correndo daquele jeito?
Foi então que viu o crânio reluzente de Ricci. Ele estava do outro lado da pista, no pé da escada que subia do Sepulveda Boulevard até o viaduto. Uma vez lá em cima, não teria para onde ir, mas estava subindo mesmo assim. Que imbecil.
Cruz entrou no meio do tráfego ensurdecedor, erguendo o distintivo da polícia para fazer os carros pararem, mas ao mesmo tempo gritando:
– Ricci, pelo amor de Deus! Eu não sou da polícia!
Cruz atravessou o bulevar bem na hora em que Ricci subia o último lance da escada. O chofer virou a cabeça, viu Cruz chegando perto – e seu pé resvalou. Ele segurou o guarda-corpo tarde demais e caiu. Era a oportunidade da qual Cruz precisava para alcançá-lo.
O investigador subiu as escadas como se fosse Rocky Balboa e alcançou Ricci.
– Você está bem? – indagou. – Chega de correr por hoje, ok?
Esticou a mão para ajudar o outro a se levantar e Ricci aceitou a ajuda. No entanto, assim que ficou em pé, desferiu um soco na direção do maxilar de Cruz. Como o leão de chácara estava sem equilíbrio, Cruz se esquivou com facilidade e deu ele próprio um soco.
O punho de Cruz acertou em cheio o maxilar de Ricci, que tornou a cair, nocauteado.
– Campeão californiano de médios ligeiros de 2005! – gritou Cruz para Ricci. – É esse o seu adversário.
Nesse exato instante, Del Rio subiu na calçada com o Mercedes. Desceu do carro e ajeitou o casaco.
– Chegaram os reforços! – falou alto para Cruz.
Foi se juntar ao parceiro e a Ricci na escada. Duas pessoas passaram por eles sem fazer contato visual.
– Escute aqui, seu bosta – disse Del Rio para Ricci. – Não estamos nem aí para você, está bem? Só nos diga o que queremos saber e damos o fora.
Ricci esfregou o maxilar.
– Vocês não são da polícia?
– Dá para acreditar nesse cara? – falou Cruz. Ele esticou a mão e tornou a ajudar Ricci a se levantar. – Paul, escute. Não somos da polícia. Não queremos fazer mal a você nem a ninguém. Pagamos Karen e Carmelita por informações sobre cinco clientes de prostitutas assassinados na região de Los Angeles. E não conseguimos as informações.
– Que informações? Que informações?
O cara continuava em pânico, então Cruz pensou que uma daquelas pessoas que cruzaram por eles rumo ao viaduto talvez fosse chamar a polícia.
– Segundo Carmelita, um chofer chamado Billy Moufan contou a ela que um outro motorista era o assassino – falou. – Disse que Billy morreu de overdose. Só que não existe nem nunca existiu ninguém chamado Billy Moufan. E o que ela não contou foi que você é chofer de limusine. Que esquecimento, não é mesmo? Você por acaso seria “Billy Moufan”? Sabe quem matou os tais clientes?
– Não, não, não. Não fui eu. Faz só seis meses que tenho a licença de motorista particular. Olhe aqui, vou lhe mostrar. Olhe.
Del Rio olhou.
– Se eu der o nome do cara vocês me deixam em paz, certo? – perguntou Ricci. – E têm que nos deixar fora disso. Não quero que Karen e Carmelita se machuquem.
– É esse o acordo. Você nunca nos deu o nome nem disse onde encontrar o cara.
– Está bem – concordou Ricci. – Escute, o primeiro marido de Karen, Tyson Keyes. Foi ele quem falou com Carmelita sobre as mortes. Não sei onde ele mora. Nem quero saber.
Paul Ricci recusou uma carona de volta ao estacionamento, então Del Rio e Cruz entraram no carro e tomaram o rumo do centro, em direção à Private.
– Tyson Keyes. Será que ele sabe quem é o assassino? Ou será ele próprio? – perguntou Cruz.