Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 129 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 126

 

LARGUEI O TELEFONE E TENTEI processar o choque da conversa com Noccia. Perguntei-me se estaria mesmo seguro. Se Mickey Fescoe conseguiria guardar segredo quanto ao meu envolvimento na apreensão da DEA. Ou se era apenas questão de tempo até os capangas de Noccia me encurralarem em um beco escuro.

Quis ligar para Justine.

Quis ouvir a voz dela. Contar as últimas sobre Noccia e sobre meu irmão gêmeo, atualmente detido por roubo de automóvel e suspeita de assassinato.

O número de Justine era o primeiro na minha lista de discagem rápida. Escutei o telefone tocar do outro lado e imaginei a ligação sendo completada. Torci para ela estar em casa, tomando uma taça de vinho junto à piscina. Torci para ela me convidar a ir até lá.

Justine atendeu no terceiro toque.

– Não desligue, garota. Sério.

Justine riu.

– Certo. Você me pegou.

Ela disse que estava limpando a geladeira. Que era sua primeira noite livre em mais ou menos um mês e que tinha algumas coisas para fazer.

– Você se importa em levar um copo de vinho até a piscina? Foi assim que eu a imaginei agora há pouco.

Ela tornou a rir.

– Vamos ver. Sim. Por acaso tenho uma garrafa aberta aqui. Me dê só um instante.

Ouvi o tilintar de copos e os latidos de Rocky, o pit bull que ela havia recolhido das ruas. Ouvi portas de correr se abrindo e então ela falou:

– Pronto. O que você manda, Jack?

Comecei a falar, espantado ao ouvir o que saía da minha própria boca.

Talvez o telefone tenha nos proporcionado tanto a intimidade quanto a distância de que precisávamos para finalmente conversar sobre o que eu tinha feito e por quê.

– Quero que você entenda que eu sei que agi errado. Não há desculpa para o que fiz, sobretudo para você, mas pode acreditar em mim, Justine. Eu sinto muito. Não poderia estar mais arrependido.

– Jack, pare de se culpar pela morte de Colleen – disse Justine. – Você fez o que fez, mas não a matou.

Justine me disse quanto gostava de Colleen e falou que entendia meus sentimentos em relação a ela.

– Pensei que vocês tivessem terminado de vez. Mas aí vi que não. Não de verdade, ou não ainda. Fiquei magoada, Jack. Acho que qualquer um teria ficado, mas agora já superei.

Agradeci a ela e, quando o silêncio se arrastou por tempo demais, contei-lhe sobre Clay Harris, sobre como Tommy o matara, e disse que Tommy estava agora na prisão.

– Conhecendo Tommy, eles não vão conseguir provar nada – falou Justine. – Ele vai dizer que comprou o carro para Clay, para que ele não precisasse pagar impostos sobre os bônus. Aposto que Tommy comprou mesmo o carro para ele. Não consigo imaginar Clay Harris entrando em um show room da Lexus em Beverly Hills. Simplesmente não consigo.

Ele ouvia Justine expor sua opinião sobre o caso.

– E Tommy também vai se livrar da acusação de assassinato. A polícia vai saber que ele matou Clay, mas nunca vai encontrar a pistola. Você não pode depor contra ele. Ele não pode depor contra você. Impasse.

Dei um suspiro.

– Jack, eu não estou mais zangada com você.

– Que bom – falei.

Estava a ponto de dizer que gostaria de passar na sua casa quando ela tornou a falar:

– Olhe, tenho que ir. Preciso passear com o cachorro, trocar a areia do gato, limpar o congelador. Talvez até pinte as unhas. Você deveria dormir um pouco. Nos vemos amanhã.

– Eu também tenho algumas tarefas de vida ou morte para fazer, Justine – falei. – Como pôr uma ou duas levas de roupa na máquina.

– Faz muito bem – disse ela, e rimos juntos.

Desejei-lhe boa-noite.

O que mais eu podia fazer?